A Ford, uma das mais tradicionais montadoras dos Estados Unidos, está se reinventando ao entrar no mercado de armazenamento de energia, impulsionada pelo avanço da inteligência artificial (IA). O anúncio dessa nova divisão gerou um aumento significativo de 21% nas ações da empresa em apenas dois dias, refletindo o entusiasmo dos investidores.
No início da semana, a Ford fechou um contrato de cinco anos com a EDF, prevendo o fornecimento de até 20 GWh de energia. Essa movimentação é vista como uma oportunidade de crescimento em um setor que promete expansão e rentabilidade, contrastando com a imagem de crescimento lento da montadora.
Oportunidades no mercado de energia
De acordo com estimativas da Bloomberg NEF, a demanda por armazenamento de energia nos Estados Unidos deve dobrar até 2030. Além da Ford, outras empresas, como Caterpillar e Johnson Controls, também estão se beneficiando dessa nova onda de inovação impulsionada pela IA.
O analista Andrew Percoco, do Morgan Stanley, avaliou o novo negócio da Ford em US$ 10 bilhões e destacou o potencial de contratos com grandes clientes comerciais. O CEO da Ford, Jim Farley, reforçou essa perspectiva ao afirmar que a empresa tem observado um interesse significativo por parte dos clientes.
A entrada da Ford nesse segmento é uma resposta à demanda abaixo do esperado por veículos elétricos nos Estados Unidos. A montadora já havia estabelecido uma parceria com a fabricante chinesa de baterias CATL, que continuará a fornecer tecnologia para uma picape elétrica prevista para o próximo ano.
Com a nova estratégia, a Ford redireciona sua atuação, utilizando a tecnologia da CATL também em grandes baterias de armazenamento energético. Embora o futuro do novo negócio ainda seja incerto, o BNP Paribas projeta que um investimento de US$ 2 bilhões pode gerar um retorno de 22% até o final da década.
Essa mudança de foco pode representar uma transformação significativa para a Ford, que busca se adaptar às novas demandas do mercado. O sucesso nesse novo segmento pode não apenas revitalizar a imagem da montadora, mas também impactar positivamente a indústria automotiva e energética no Brasil e no mundo.











