O debate sobre a participação de crianças em eventos LGBTQIA+ ganhou destaque após a aprovação de um projeto de lei na Câmara Municipal de São Paulo. O advogado Ariel de Castro Alves, membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da OAB, considera o PL inconstitucional, afirmando que a Constituição assegura a igualdade e proíbe discriminações.
O projeto, de autoria do vereador Rubinho Nunes, foi aprovado no dia 20 de maio de 2026 e ainda precisa passar por um segundo turno para se tornar lei. Ele estabelece que eventos LGBTQIA+ devem ocorrer em locais que permitam controle de entrada de crianças e adolescentes, restringindo sua participação.
Implicações e Direitos
Ariel ressalta que a proibição é discriminatória, já que não se aplica a outros eventos culturais, como o carnaval. “Proibir a entrada de crianças apenas na Parada do Orgulho LGBTQIA+ demonstra uma forma de lgbtfobia”, afirmou. O jurista também destacou que o Estatuto da Criança e do Adolescente garante direitos de participação e liberdade de expressão.
Além disso, ele enfatiza que os pais têm o direito de levar seus filhos a esses eventos, promovendo a educação sobre diversidade e cidadania. “Na Parada LGBT de São Paulo, existem alas específicas para famílias com crianças, o que deve ser uma prática comum”, sugeriu.
Justificativas do Projeto
O vereador Rubinho Nunes justificou o projeto afirmando que eventos abertos podem causar desconforto a pais que não compartilham das mesmas crenças. Ele defende que a realização de eventos em espaços fechados protegeria as crianças de conteúdos considerados impróprios.
No entanto, essa perspectiva é contestada por especialistas que argumentam que a diversidade deve ser parte da educação das crianças. A discussão sobre o papel da família e da sociedade na formação de valores inclusivos é essencial nesse contexto.
Desdobramentos Legais
O tema também está sendo analisado pelo Supremo Tribunal Federal, que já recebeu ações questionando leis semelhantes em outros estados, como o Amazonas. A expectativa é que a decisão do STF possa influenciar a discussão sobre a liberdade de expressão e os direitos das crianças em eventos culturais.
Com a proximidade da Parada do Orgulho LGBTQIA+ em São Paulo, a sociedade civil se mobiliza para garantir que todos, independentemente de idade, possam participar e celebrar a diversidade. A luta por direitos iguais continua, e a participação das crianças é vista como parte fundamental desse processo.











