O mercado brasileiro de trigo se mantém firme, com preços elevados e baixa liquidez, refletindo a combinação de uma oferta restrita e preocupações climáticas. As dificuldades enfrentadas na nova safra e os altos custos de importação têm sustentado o valor do cereal, especialmente nas regiões do Sul do Brasil.
Consultorias do setor alertam que tanto produtores quanto moinhos devem agir com cautela, dada a volatilidade dos preços internacionais e as incertezas sobre a próxima colheita. O cenário exige atenção redobrada, especialmente com a aproximação da nova safra e as condições climáticas adversas.
Impacto do clima nas safras e no mercado
No mercado externo, as cotações do trigo em Chicago têm reagido a preocupações com a produtividade das lavouras nos Estados Unidos. Apesar de chuvas recentes, cerca de 70% das áreas de trigo de inverno ainda enfrentam seca, o que limita a recuperação dos preços.
No Brasil, a situação é semelhante, com o mercado travado e poucos negócios sendo efetivados. A resistência de produtores em vender a preços mais baixos, aliada à baixa disponibilidade de trigo de qualidade, tem dificultado a liquidez no setor.
Além disso, a escassez de trigo premium no Mercosul e a alta nos custos de importação têm mantido os preços internos elevados. A expectativa é que a dependência das importações aumente, especialmente com a seca afetando o plantio da nova safra em regiões como o Cerrado.
Desempenho regional e recomendações
No Rio Grande do Sul, os preços do trigo estão em recuperação, com negócios ocorrendo entre R$ 1.400 e R$ 1.430 por tonelada. No entanto, a oferta continua restrita, e a cobertura dos moinhos para os próximos meses é limitada.
Em Santa Catarina, o frete tem sido um fator crucial para a formação dos preços, que variam entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada. Já no Paraná, a oferta limitada mantém os preços elevados, com referências em torno de R$ 1.350 a R$ 1.400 FOB.
Consultorias recomendam que os produtores evitem vendas agressivas e aproveitem momentos de alta para realizar vendas parciais. Para os moinhos, a estratégia deve ser manter uma cobertura parcial das necessidades futuras, sempre monitorando as condições climáticas e as importações argentinas.











