O mercado de trigo no Brasil apresenta uma tendência de alta, impulsionada pela baixa oferta do cereal e preocupações climáticas no Sul do país. Com o fenômeno El Niño se aproximando, os produtores estão cautelosos, o que reflete diretamente nos preços internos, que permanecem elevados mesmo com a queda nas cotações internacionais.
Dados do Cepea mostram que os preços do trigo nas principais regiões produtoras estão em ascensão. No Rio Grande do Sul, o valor médio ultrapassou R$ 1.300 por tonelada, enquanto no Paraná, os preços superaram R$ 1.350, indicando um retorno aos patamares de meses anteriores.
Expectativas e incertezas no setor
Os produtores estão hesitantes em negociar, esperando que os preços aumentem ainda mais devido às incertezas climáticas para a próxima safra. A confirmação do El Niño pode trazer chuvas excessivas durante a maturação e pré-colheita, o que preocupa os triticultores da região Sul.
A indústria moageira, por sua vez, continua ativa, aceitando pagar preços mais altos para garantir o abastecimento. No entanto, a dificuldade em repassar os custos para os produtos finais, como farinha e farelos, tem comprimido as margens de lucro dos moinhos.
Impacto na área plantada e alternativas
O cenário de custos elevados e riscos climáticos já está afetando o planejamento da próxima safra de inverno. No Rio Grande do Sul, há uma tendência de redução na área plantada com trigo, com produtores considerando alternativas mais seguras, como canola e milho precoce.
Em Santa Catarina e Paraná, os preços do trigo permanecem firmes, com variações que refletem a oferta limitada e a demanda por produtos de qualidade superior. O mercado interno continua a ser priorizado, mesmo com a oferta de trigo argentino, que enfrenta desafios de qualidade.
Enquanto isso, o mercado internacional apresenta quedas nas cotações, mas o Brasil se mantém relativamente isolado das oscilações externas. A atenção dos operadores está voltada para as condições climáticas e o desenvolvimento das lavouras, que continuarão a influenciar os preços nas próximas semanas.











