A safra 2026/27 de soja no Brasil já se destaca por registrar custos recordes, o que pressiona a rentabilidade dos produtores. De acordo com um levantamento da Agrinvest Commodities, o custo de produção ultrapassa em 5,7 sacas por hectare a média dos últimos sete anos, refletindo um aumento significativo em relação à temporada anterior.
O principal fator que tem contribuído para essa elevação nos custos é o mercado de fertilizantes, que continua a impactar fortemente os custos operacionais da atividade. Jeferson Souza, analista da Agrinvest, destaca que os insumos nutricionais são os mais onerosos para os sojicultores neste ciclo.
Impactos da Redução na Adubação
Embora tenha havido uma leve melhora nos preços da soja e uma diminuição pontual em alguns insumos, muitos produtores estão reduzindo o investimento em fertilizantes. Essa estratégia visa equilibrar as contas, mas pode comprometer o potencial produtivo das lavouras, conforme alerta a Agrinvest.
Com uma propriedade de 500 hectares, o custo adicional com insumos já representa cerca de 1.400 sacas de soja em relação ao ciclo anterior. Para os agricultores, isso significa que será necessário aumentar a produtividade ou contar com preços mais altos para manter as margens de lucro da safra passada.
Desafios Comerciais e Climáticos
Outro desafio enfrentado pelos produtores é o atual cenário geopolítico, que influencia o mercado global de fertilizantes, gerando volatilidade nos preços. André Pessoa, da Agroconsult, ressalta que as janelas para aquisição de insumos estão mais curtas, aumentando o risco de custos ainda maiores nos próximos meses.
Além disso, a possibilidade de um “Super El Niño” está gerando preocupação entre os produtores, que podem adotar uma postura mais cautelosa em relação a investimentos em tecnologia e manejo. Essa redução no uso de tecnologia pode aumentar a vulnerabilidade climática das lavouras, elevando o risco de perdas produtivas.
Diante desse cenário desafiador, consultorias recomendam que os produtores adotem estratégias de planejamento e gestão de custos mais rigorosas. A capacidade de adaptação e a adoção de práticas sustentáveis serão fundamentais para garantir a competitividade e a rentabilidade na safra 2026/27.











