A suinocultura de Santa Catarina enfrenta uma crise sem precedentes, com uma queda de 17,2% no preço do suíno desde o início de 2026. Essa situação tem ampliado os prejuízos nas propriedades rurais e reduzido a rentabilidade da atividade, conforme alerta o presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio Luiz de Lorenzi. Ele estima perdas de até R$ 150 por animal enviado ao abate.
O impacto da crise atinge tanto produtores integrados quanto independentes, em um cenário marcado pelo excesso de oferta no mercado interno, valorização do real frente ao dólar e aumento contínuo dos custos de produção. A situação se agrava com a queda do preço do quilo do suíno, que passou de R$ 6,80 no início do ano para R$ 5,80 atualmente.
Desequilíbrio entre oferta e demanda
O desequilíbrio entre oferta e demanda é apontado como o principal fator da retração no setor. Após períodos de boa rentabilidade, muitos produtores ampliaram seus investimentos e expandiram o plantel de matrizes. Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicam que o Brasil registrou um aumento de 105 mil matrizes entre 2024 e 2025, contribuindo para uma oferta excessiva de carne suína.
Além disso, a produtividade também aumentou, com um crescimento médio de 0,68 leitão desmamado por matriz ao ano. Essa combinação de fatores resultou em um volume de produção maior, pressionando ainda mais os preços pagos ao produtor.
Exportações e rentabilidade
Apesar da crise interna, o Brasil alcançou um recorde nas exportações de carne suína no primeiro trimestre de 2026, com um aumento de 14% em relação ao ano anterior. No entanto, a valorização do real frente ao dólar comprometeu a rentabilidade das exportações, resultando em uma perda significativa para os produtores.
Com a tonelada exportada sendo negociada a US$ 2.510, a queda do câmbio para R$ 5,15 reduziu a receita para R$ 12.940 por tonelada, uma perda de R$ 1.452 por tonelada exportada. Essa situação afeta diretamente a margem de lucro das empresas exportadoras e, consequentemente, a sustentabilidade do setor.
Desafios e perspectivas
Os desafios não param por aí. O ambiente econômico e regulatório no Brasil também preocupa os produtores, com a elevada carga tributária e propostas de mudanças na jornada de trabalho que podem elevar os custos operacionais. A possibilidade de uma transição da escala 6×1 para 5×2 pode encarecer ainda mais a produção agroindustrial.
Com o atual cenário, muitos produtores estão considerando a migração de investimentos para países vizinhos, como o Paraguai, em busca de condições tributárias mais favoráveis. A ACCS ressalta que medidas estruturais são essenciais para recuperar a competitividade da suinocultura brasileira, especialmente em estados como Santa Catarina, que são líderes na produção.











