A classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos não traz benefícios para o Brasil, segundo o promotor Lincoln Gakiya. A declaração foi feita durante uma entrevista ao jornalista José Luiz Datena, na manhã desta sexta-feira, 29 de maio de 2026.
Gakiya, que atua no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, argumenta que essa nova designação pode prejudicar a cooperação entre Brasil e EUA no combate ao crime organizado, especialmente no tráfico de drogas.
Impactos da Classificação
O promotor destacou que a classificação de organizações criminosas como terroristas não é uma novidade, já que os EUA também fizeram isso com facções de outros países da América Latina. No entanto, ele questiona a eficácia dessa medida, uma vez que o poder dessas organizações não diminuiu com a classificação anterior.
Além disso, Gakiya alertou que a nova designação pode levar a uma atuação mais agressiva da CIA e do exército americano, o que poderia complicar ainda mais a situação no Brasil. Ele considera essa possibilidade perigosa e remota, mas não a descarta completamente.
Na noite de quinta-feira, 28 de maio, os EUA anunciaram a nova classificação do PCC e do CV, o que abre espaço para ações como intervenções militares e sanções econômicas. Essa mudança pode impactar a soberania nacional, conforme apontou o promotor.
Apesar dos riscos, Gakiya acredita que uma invasão militar americana é improvável devido aos tratados existentes entre Brasil e EUA. Ele defende que o foco deve ser no fortalecimento da cooperação entre os dois países, com a criação de equipes de investigação conjuntas.
O promotor concluiu que a colaboração pode incluir recursos financeiros, treinamento e tecnologia, essenciais para o combate eficaz às facções criminosas que atuam no Brasil. Ele enfatiza que essa abordagem é mais benéfica do que a classificação como organizações terroristas.











