O mercado de trigo no Brasil encerrou maio com preços firmes, mesmo diante de uma baixa liquidez nas negociações. A escassez de produto disponível nas principais regiões produtoras tem sustentado os valores, especialmente para o trigo com qualidade adequada para moagem.
Elcio Bento, analista da Safras & Mercado, aponta que a oferta reduzida continua sendo o principal fator que mantém os preços elevados. Apesar da cautela dos compradores e das dificuldades em repassar custos para o mercado de farinha e farelo, a situação de oferta restrita evita quedas significativas nas cotações.
Valorização no Paraná e Rio Grande do Sul
No Paraná, a média FOB interior do trigo fechou maio em R$ 1.430 por tonelada, com uma valorização de 2% no mês. A estabilidade nos preços reflete um ambiente mais acomodado, mas ainda sustentado pela baixa disponibilidade do cereal no mercado físico.
Já no Rio Grande do Sul, a valorização foi ainda mais intensa, com um aumento de 5% nas cotações, encerrando o mês em R$ 1.360 por tonelada. A baixa liquidez persiste, mas a escassez de oferta e a resistência dos vendedores têm garantido a sustentação dos preços.
Em 2026, o trigo gaúcho já acumula uma valorização de 32%, enquanto no Paraná o avanço é de 22%. Esses números indicam uma recuperação importante no mercado, impulsionada pela busca por matéria-prima de melhor qualidade.
Impacto do trigo argentino no mercado brasileiro
No cenário internacional, o trigo argentino, principal fornecedor ao Brasil, encerrou maio com preços estáveis em US$ 250 por tonelada. Apesar da estabilidade, o cereal argentino acumula uma alta de 11% em 2026, o que continua a oferecer sustentação ao mercado brasileiro.
Com estoques internos ajustados e a priorização por lotes de melhor qualidade, o mercado de trigo no Brasil deve seguir com viés firme no curto prazo. A combinação de oferta restrita e custos elevados de importação limita a pressão para a queda dos preços, mesmo em um ambiente de comercialização lento.











