O Instituto Nacional de Câncer (INCA) alerta para os riscos dos cigarros com sabor e aroma, especialmente entre jovens e adolescentes. Durante um evento em 28 de maio, o diretor-geral do INCA, Roberto Gil, destacou a preocupação com a crescente popularidade desses produtos, que atraem novos usuários ao tabagismo.
Gil enfatizou que a desinformação sobre os perigos do tabaco é alarmante. “Um produto que mata um em cada dois usuários não deveria existir”, afirmou, reforçando a urgência de ações para combater essa realidade.
Preocupação com a Iniciação ao Tabagismo
O Ministério da Saúde também levantou bandeiras contra o uso de aromatizantes e dispositivos eletrônicos, como vapes e pods, que tornam o tabaco mais atrativo. Esses produtos adicionam sabores e cores que facilitam a iniciação ao vício, especialmente entre os jovens.
Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) revelam que cerca de 2,6 milhões de adolescentes de 13 a 15 anos consomem tabaco nas Américas. Além disso, um estudo do INCA indica que o Brasil pode gastar até R$ 153 bilhões anualmente com doenças relacionadas ao tabagismo.
A secretária-executiva da Comissão Nacional para a Implementação da Convenção-Quadro da OMS para o Controle do Tabaco, Vera Luiza da Costa e Silva, alertou para a transição de produtos tradicionais para alternativas mais tecnológicas, que atraem novas gerações para o vício da nicotina.
Regulamentação e Desafios Legais
A Anvisa já instituiu uma resolução que proíbe o uso de aditivos que tornam os produtos de tabaco mais palatáveis. No entanto, a indústria do tabaco questiona a legalidade dessa norma, alegando que sua aplicação inviabiliza a produção nacional.
Um estudo recente publicado na revista Tobacco Control refutou essa argumentação, mostrando que muitas marcas de cigarros no Brasil não utilizam os aditivos proibidos. O pesquisador André Zsklo defendeu que a produção de cigarros sem esses aromas é viável, mas a indústria não demonstra interesse em fazê-lo.
Roberto Gil pediu ao STF que confirme a proibição dos aditivos, para garantir a eficácia da norma e evitar novas contestações judiciais. Ele ressaltou que o tabagismo está se tornando uma “doença pediátrica”, atingindo cada vez mais jovens abaixo de 20 anos.
A coordenadora da Política de Prevenção e Controle do Câncer Infantojuvenil, Suyanne Camille Caldeira Monteiro, reforçou que não existem dispositivos eletrônicos seguros para fumar. A prevenção da iniciação ao tabagismo é uma prioridade no combate ao vício em nicotina, especialmente entre os jovens.











