Indicadores de confiança de serviços e indústria recuam em abril e podem piorar sob efeito do tarifaço

O Índice de Confiança de Serviços (ICS) do FGV IBRE recuou 2,5 pontos em abril, para 90,4 pontos, menor nível desde maio de 2021, quando era de 87,1 pontos. A confiança da indústria, divulgada na segunda pelo instituto, registrou a segunda queda consecutiva, chegando a 98 pontos. Na visão do economista Rodolfo Tobler, pesquisador do FGV Ibre, os dados já refletem os efeitos da política monetária do Banco Central que vêm elevando os juros básicos da economia na tentativa de conter a escalada da inflação. O economista ressalta que a indicação de desaceleração se aprofunda pelo fato de que os indicadores não apontarem apenas uma piora nas expectativas, mas na percepção de demanda. Na contramão de Serviço e Indústria, a confiança do comércio avançou este mês. A alta de abril, no entanto, não compensa a trajetória negativa do setor neste ano, pondera Tobler.

  • Análise: O que levou a inflação de alimentos a subir tanto e o que se pode prever
  • Entenda: Consumidor reduz pessimismo com a economia local em abril, apesar de aumento de incertezas globais

— Tanto serviços quanto comércio têm uma trajetória negativa ao longo de 2025, indicando realmente uma desaceleração. As expectativas vêm tendo ao longo do ano um resultado um pouco pior do que o indicador geral, o que evidencia toda incerteza no ambiente macroeconômico. A taxa de juros ainda é muito alta, a inflação também incomoda, tem prejudicado bastante. A alta do comércio neste mês recupera apenas metade do que caiu em 2025.

O pesquisador destaca, no entanto, que novas altas no comércio podem significar uma preocupação extra para o Banco Central:

— No caso do comércio, acho que esse aumento da expectativa não é algo que preocupe muito. A confiança do setor vinha caindo muito ao longo do ano, teve agora uma recuperação que a gente pode dizer uma certa compensação. Acho que seria preocupante se a gente começar a ter realmente uma expectativa bem mais favorável nos próximos meses, uma continuidade desse resultado positivo. Aí, sim, acho que poderia ser uma preocupação. Mas esse resultado sozinho, no momento, não parece ser um problema.

  • Boletim Focus: mercado reduz estimativa de inflação pela segunda semana seguida

Na avaliação do economista, tudo indica que o segundo e terceiro trimestre devem ser mais desafiadores para os dois setores. Tobler acredita que o efeito da guerra comercial declarada por Donald Trump pode trazer piora na confiança dos setores como um todo.

— Já tem uma incerteza política, econômica aqui no Brasil que é grande e a gente passou a ter também no mundo a partir deste. Uma parte desse feito foi captada em abril, no sentido de que a gente vê as expectativas num patamar mais baixo, confiança em queda e tudo mais, mas acho que de fato ainda tem espaço para ter pioras. O cenário não parece que vai se tranquilizar daqui para frente. Os indicadores vão na mesma direção do que se enxerga ao olhar as previsões de PIB. De qualquer forma, o próximo resultado pode nos dar um pouco mais de clareza, especialmente para o comércio.

  • Galípolo diz que é ‘estranho’ como a economia segue em níveis de dinamismo tão elevados, com juros bastante restritivos

Na indústria, Stefano Parisi, economista do FGV Ibre, ressalta que, apesar de uma acomodação das expectativas após um período de pessimismo quanto o futuro dos negócios nos próximos seis meses, há uma piora disseminada da demanda externa, principalmente nos segmentos relacionados aos bens intermediários. Essa piora da economia internacional somada aos juros altos, diz Pacini, indicam um cenário difícil para a indústria no segundo semestre.

0 Votes: 0 Upvotes, 0 Downvotes (0 Points)

Leave a reply

Loading Next Post...
Seguir
Sign In/Sign Up Sidebar Search
COLUNISTAS
Loading

Signing-in 3 seconds...

Signing-up 3 seconds...