
Organizações populares têm se mobilizado em Porto Príncipe, no Haiti, para denunciar o alto custo de vida, pedir aumento do salário mínimo e também melhorias nas políticas de segurança. O país tem vivido um clima de instabilidade política por diversas questões sociais e instabilidade com o recente episódio de violência envolvendo gangues que deixou mais de 70 pessoas mortas.
A correspondente do Brasil de Fato no Haiti, Cha Dafol, explica que muitos dos problemas são atravessados pelas questões econômicas vividas no país. A inflação, segundo ela, está em 25% há muitos anos. “Chegou a bater 30% e ao contrário do que se pode pensar, porque muita gente fala que o Haiti é um dos países mais pobres do mundo, o custo de vida é muito alto no Haiti e contrasta com o poder aquisitivo da população, que é muito baixo”, explica.
O debate pelo aumento do salário começou há alguns meses através de sindicatos e organizações de trabalhadores, mas no início de abril um novo elemento veio para agravar o cenário de insatisfação: o governo anunciou reajuste do petróleo em quase 40%. “Isso vai influenciar ainda mais no custo de vida. A água já começou a ser impactada. E o aumento do preço da gasolina vai aumentar o preço dos bens de primeira necessidade. E aí a revolta que iniciou com trabalhadores passou a ser de toda a população. O custo de vida ficou inviável. E além disso, tem toda a questão de segurança atual no país”, avalia ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Analisando a temperatura nas ruas, Cha Dafol acredita que a tendência é de um crescimento desse movimento, mas manifesta uma preocupação de que haja uma repetição do que aconteceu em 2022, ano marcado por repressão intensa de mobilizações populares. “É preciso saber para onde isso vai, como isso vai ser coordenado, porque a gente viu o que aconteceu em 2022, quando acabou não se conseguindo nada. A repressão das gangues tem também um papel político. Elas começaram a se espalhar mais em territórios favelados e mais populares e que mais iam para a rua. E isso não é acaso. Tem todo um jogo político dos poderes usarem essas gangues para controlar a população”, afirma, ao mencionar também a atuação do Brasil no país, no período da Minustah.
“Houve uma série de denúncias da Minustah que também foi usada para impedir as manifestações sociais. A gente está desde o início do mês vivendo a chegada de uma nova força internacional, que é a Força de Repressão das Gangues, e que também pode atuar no sentido da repressão”, explica.
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.