O Sphenophorus levis, conhecido como bicudo-da-cana, representa uma séria ameaça à produtividade da cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil. Essa praga, que se torna mais preocupante em períodos de estiagem, tem gerado grandes desafios para os produtores, comprometendo o desenvolvimento das lavouras e a rentabilidade do setor.
Atuando diretamente no sistema radicular da cana, o bicudo-da-cana causa danos significativos, resultando na morte de perfilhos e até na perda total das touceiras. Estima-se que as perdas possam chegar a 25 toneladas de cana por hectare anualmente, dependendo da infestação e das condições climáticas.
Desafios de controle e manejo integrado
O ciclo biológico do Sphenophorus levis, que ocorre em grande parte abaixo do solo, dificulta o controle convencional. As larvas se alimentam dos rizomas, abrindo galerias que comprometem a estrutura da planta. Essa proteção subterrânea torna a praga uma das mais complexas a serem geridas nos canaviais.
Com a possibilidade de quatro a cinco gerações por ano, a reinfestação é rápida, o que agrava ainda mais a situação. Especialistas alertam para a importância do manejo preventivo, que inclui o uso de mudas sadias e a higienização rigorosa de máquinas agrícolas.
Estratégias de manejo e monitoramento
O manejo integrado é fundamental para mitigar os danos causados pelo bicudo-da-cana. A adoção de práticas como vazio sanitário e destruição mecânica da soqueira são recomendadas em áreas com alta pressão da praga. O monitoramento contínuo é essencial para a identificação precoce dos sintomas e para a definição de estratégias de controle mais eficazes.
Além disso, o tratamento químico em áreas afetadas pode ajudar a reduzir a população do inseto e preservar o potencial produtivo das lavouras. O uso de inseticidas, aliado ao monitoramento constante, é crucial para o sucesso do manejo.
A cana-de-açúcar continua a ser uma cultura relevante no mercado de defensivos agrícolas. Dados recentes indicam que a área tratada com defensivos na cana representou cerca de 4% do total em 2025, evidenciando a importância da canavicultura e a demanda por tecnologias que garantam a eficiência agronômica e a sustentabilidade do setor.











