Mais de 500 mulheres quilombolas se reuniram no Distrito Federal para o lançamento do “Plano emergencial para proteção às mulheres quilombolas defensoras dos direitos humanos”. O evento, que ocorre até o dia 14 de junho na região administrativa do Gama, marca a terceira edição do encontro nacional promovido pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).
O plano emergencial, que conta com 85 páginas, destaca a urgência de políticas públicas efetivas para garantir a proteção coletiva e territorial dessas mulheres. O documento apresenta uma série de demandas que devem ser atendidas por diferentes esferas do governo.
Entre as solicitações estão análises relacionadas a gênero e raça, direitos sociais, infraestrutura e valorização dos saberes quilombolas. A proposta também visa superar falhas estruturais nos programas de segurança e fortalecer equipes multidisciplinares de apoio, que devem oferecer respostas rápidas a riscos enfrentados pelas lideranças femininas.
Desdobramentos e Ações Futuras
Selma Dealdina, coordenadora do Coletivo de Mulheres da Conaq, enfatizou que o plano busca responder ao agravamento dos conflitos agrários e ambientais que afetam as mulheres quilombolas. A iniciativa inclui a publicação de uma cartilha pedagógica e a realização de formações integradas para fortalecer a articulação política dessas lideranças.
O evento também contou com a exibição do documentário Cafuné, que retrata a tensão enfrentada por mulheres líderes comunitárias e as consequências trágicas, como o assassinato de Mãe Bernadete em agosto de 2023. A produção é parte de um projeto que será apresentado a autoridades.
Justiça Climática e Ancestralidade
Os organizadores do encontro destacam que o lema “Mulheres Quilombolas na defesa por justiça climática, por reparação e democracia” reflete a necessidade de resistência e proteção dos biomas brasileiros. A Conaq defende a unificação de estratégias para enfrentar os impactos das mudanças climáticas nos territórios tradicionais.
O evento também promove a participação de agricultoras familiares, raizeiras, benzedeiras e parteiras de diversas regiões, criando um espaço para a diversidade dos produtos dos biomas. Cida Souza, coordenadora do Coletivo de Mulheres da Conaq, ressaltou que as mulheres são as principais responsáveis pela produção dentro dos territórios, seja na agricultura, medicina tradicional ou artesanato.











