Uma nova exposição em São Paulo destaca a arte e os métodos de aprendizado dos povos indígenas por meio do movimento das Escolas Vivas. A mostra, que está em cartaz no Instituto Tomie Ohtake até 9 de agosto, apresenta obras coletivas que refletem a transmissão de saberes dos povos Guarani Mbya, Baniwa, Huni Kuin, Maxakali e Tukano-Desana-Tuyuka. A entrada é gratuita.
Os visitantes poderão explorar práticas pedagógicas que conectam território, memória e espiritualidade. A exposição é uma parceria entre o Instituto Tomie Ohtake e a Associação Selvagem, com a colaboração dos coordenadores das Escolas Vivas.
Conceito das Escolas Vivas
A educadora Cristine Takuá, curadora da mostra, explica que o movimento busca transformar a relação entre ensinar e aprender. Segundo ela, a transmissão de conhecimento vai além de letras e números, envolvendo artes e saberes ancestrais.
As obras expostas foram criadas em oficinas realizadas nos territórios das Escolas Vivas e durante uma residência artística no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em outubro de 2025. O evento reuniu dez artistas indígenas para um processo de criação colaborativa.
Entre as obras, destaca-se a instalação O umbigo do mundo, do povo Baniwa, que utiliza fibras de tucum trançadas por mulheres da comunidade. Os Huni Kuin apresentam um pano professor com grafismos que orientam a transmissão de conhecimentos.
A instalação Pytü, o Escuro, dos Guarani Mbya, simboliza o início da vida, enquanto os Maxakali trazem mastros que conectam o mundo espiritual aos rituais. A mostra também inclui uma farmácia amazônica com plantas medicinais dos povos Tukano, Desana e Tuyuka.
O núcleo dedicado aos mais velhos apresenta obras de figuras importantes na preservação do conhecimento indígena, como Ailton Krenak e Ehuana Yanomami. Takuá ressalta que a educação indígena é uma busca pelo bem-viver e pelo respeito à natureza.
Com essa exposição, a curadora convida a sociedade a repensar o modelo educacional atual, que muitas vezes ignora as realidades locais. A proposta é refletir sobre a conexão entre educação e natureza, enfatizando que somos parte integrante deste ecossistema.











