As edições regionais de O Pasquim, publicadas em São Paulo e no Rio Grande do Sul, agora estão disponíveis em formato digital. A digitalização das 114 edições, que completam 40 anos, foi realizada pela Biblioteca Nacional Digital e já se soma às 1.072 edições cariocas do jornal.
O Pasquim, que se destacou durante a ditadura militar, trouxe uma linha editorial crítica e irreverente. A iniciativa de expandir o jornal para outros estados surgiu em um contexto de abertura política, embora o periódico já não tivesse a mesma relevância de décadas anteriores.
Pautas locais com a mesma irreverência
As edições regionais abordaram temas locais, mantendo o tom satírico característico do jornal. No Rio Grande do Sul, o Pasquim explorou a figura do “macho sulino”, enquanto em São Paulo refletiu sobre a efervescência política do pós-ditadura.
Além disso, as edições regionais deram espaço a cartunistas e jornalistas locais, contribuindo para a diversidade de vozes no jornalismo brasileiro. A falta de apoio financeiro, no entanto, foi um desafio que levou à curta duração dessas publicações.
Digitalização
A digitalização do acervo foi coordenada por Fernando Coelho dos Santos, que trabalhou voluntariamente para garantir que as edições estivessem disponíveis online. O projeto enfrentou desafios financeiros, incluindo uma disputa judicial relacionada a recursos captados pela Lei Rouanet.
Apesar das dificuldades, o trabalho de digitalização foi considerado uma doação à história do jornalismo brasileiro. Com 100% do acervo carioca e 98% das edições regionais digitalizadas, a Biblioteca Nacional Digital agora preserva um importante capítulo da contracultura no Brasil.











