O preço do trigo no Brasil permanece firme, mesmo diante das pressões do mercado internacional. Com a colheita avançando no Hemisfério Norte e a expectativa de aumento na oferta global, o cenário interno se destaca pela oferta limitada, especialmente nos estados do Sul, que sustenta os preços.
Dados da TF Agroeconômica indicam que a baixa disponibilidade de trigo no mercado brasileiro, aliada à necessidade de importações para atender a demanda da indústria moageira, tem mantido as cotações elevadas. No Rio Grande do Sul, os produtores estão firmes nas negociações, prevendo escassez até a nova safra.
Oferta restrita impulsiona preços no Sul do país
No Rio Grande do Sul, a demanda por trigo de alta qualidade, com maior força de glúten, continua forte. Estima-se que o estado tenha cerca de 210 mil toneladas disponíveis, enquanto a necessidade de importação pode chegar a 240 mil toneladas nos próximos meses, criando um desequilíbrio que eleva os preços internos.
Os preços para embarque entre junho e julho foram negociados em torno de R$ 1.350 por tonelada FOB, com valores alcançando até R$ 1.400 por tonelada em agosto. Essa situação reflete a paridade de importação, com o trigo argentino chegando a Canoas por cerca de US$ 300 a tonelada.
Em Santa Catarina, os preços do trigo pão estão em R$ 1.360 por tonelada FOB, enquanto no Paraná, as negociações ocorrem em níveis de R$ 1.420 a R$ 1.480 por tonelada CIF. Apesar da firmeza dos preços, muitos vendedores optam por reter o produto, aguardando novas valorizações.
Produção menor no Brasil reforça sustentação dos preços
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou para baixo a estimativa de produção de trigo no Brasil, passando de 6,39 milhões para 6,30 milhões de toneladas. Esse volume é significativamente inferior às 7,87 milhões de toneladas colhidas na safra anterior, aumentando a dependência de importações.
As atenções agora se voltam para a nova safra de inverno no Sul do Brasil, onde as condições climáticas das próximas semanas serão cruciais para o potencial produtivo. O setor também observa as políticas agrícolas da Argentina, que podem impactar a oferta de trigo na América do Sul nos próximos anos.
Com a oferta restrita e a necessidade de abastecimento interno, o mercado brasileiro deve continuar sua dinâmica própria, mesmo com as pressões baixistas do mercado internacional. Essa situação pode trazer desafios e oportunidades tanto para produtores quanto para consumidores no Brasil.











