O mercado brasileiro de soja apresenta um cenário de preços sustentados e movimentação comercial intensa, impulsionado pela demanda externa aquecida e pela valorização da competitividade do produto nacional. No entanto, fatores globais, como a perspectiva de produção recorde, limitam avanços mais expressivos nas cotações, exigindo cautela dos produtores.
Safra mundial recorde mantém pressão sobre o mercado
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou sua estimativa para a safra mundial de soja 2025/26, prevendo 429,2 milhões de toneladas. Essa produção, superior ao projetado anteriormente, impacta diretamente o mercado, já que o Brasil deve alcançar 180 milhões de toneladas, consolidando-se como líder na produção e exportação da commodity.
Enquanto isso, a Argentina também contribui para o equilíbrio global de estoques, com uma produção revisada para 50 milhões de toneladas. Essa ampla oferta sul-americana reforça a pressão sobre os preços, mesmo com a demanda interna e externa ainda robusta.
Estratégia recomendada é venda escalonada da produção
Consultorias de mercado sugerem que os produtores adotem uma estratégia de venda escalonada, evitando grandes volumes em momentos de baixa acentuada na Bolsa de Chicago. Essa abordagem permite que os agricultores aproveitem eventuais repiques nos preços, especialmente se mudanças climáticas afetarem a safra dos Estados Unidos.
Para a safra 2026/27, é recomendado que os produtores travem entre 20% e 40% da produção esperada, garantindo proteção de margens sem comprometer a possibilidade de capturar ganhos adicionais. Cooperativas e indústrias também devem utilizar instrumentos de hedge para se proteger em momentos de recuo nas cotações internacionais.
Mercado físico brasileiro segue mais resiliente
Apesar das pressões externas, o mercado físico nacional demonstra resiliência, sustentado pela demanda da indústria de biodiesel e pela preferência chinesa pela soja brasileira. Nos estados produtores, como o Rio Grande do Sul e Mato Grosso, a colheita e as vendas antecipadas da safra 2025/26 estão em andamento, refletindo a importância da cultura para a economia regional.
Os próximos meses serão cruciais para o mercado, com o comportamento climático nos Estados Unidos e a evolução da demanda chinesa influenciando as cotações. A expectativa é que oportunidades de comercialização surjam, especialmente se houver mudanças nas condições climáticas ou no fluxo global de exportações.











