Justiça mantém prisão de médica acusada de matar farmacêutica em Uberlândia por “risco social”

A Justiça de Uberlândia negou o pedido de liberdade da médica Claudia Soares Alves, investigada pela morte da farmacêutica Renata Bocatto Derani. A decisão, proferida pela 3ª Vara Criminal da Comarca, também manteve a prisão preventiva de Paulo Roberto Gomes da Silva, apontado como executor do crime. O magistrado considerou que a soltura dos réus representaria “risco social”, além de destacar a gravidade dos fatos e a necessidade de garantia da ordem pública.

Segundo a decisão assinada pelo juiz Dimas Borges de Paula, permanecem presentes os requisitos legais para a manutenção da custódia cautelar, como a proteção da instrução criminal e a prevenção de fuga. O magistrado ressaltou ainda a periculosidade atribuída aos acusados e observou que não houve comprovação de residência fixa nem de ocupação lícita, o que reforça o entendimento pela prisão preventiva.

Os dois estão presos desde novembro de 2025. A defesa de Claudia informou que aguarda o julgamento de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça. Pedido semelhante já havia sido negado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais em janeiro.

Conforme as investigações da Polícia Civil, o homicídio teria sido motivado pelo desejo da médica de assumir a guarda da filha da vítima. À época dos fatos, Claudia mantinha relacionamento com o ex-marido de Renata, mas o homem teria rompido após identificar comportamento obsessivo da investigada. Imagens de câmeras de segurança registraram a abordagem à vítima antes do assassinato.

Os réus respondem por homicídio qualificado, crime classificado como hediondo. Paulo Roberto também é acusado de adulteração de sinal identificador de veículo. A Justiça afastou a alegação de excesso de prazo, apontando que o processo segue dentro do limite estabelecido pelo Conselho Nacional de Justiça para a fase inicial dos casos do Tribunal do Júri. A audiência de instrução está marcada para 13 de março de 2026, quando devem ser ouvidas testemunhas e os acusados.

De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública, Claudia está custodiada na Penitenciária Professor João Pimenta da Veiga, enquanto Paulo Roberto cumpre prisão no Presídio Professor Jacy de Assis, ambos em Uberlândia. Na decisão, o juiz voltou a frisar a ausência de comprovação de endereço fixo e de atividade profissional regular, circunstâncias que, segundo ele, ampliam o risco de evasão.

Além deste processo, Claudia também responde judicialmente por um caso de sequestro de recém-nascida ocorrido em 2024 na maternidade do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia. A Polícia Civil apurou que, no homicídio da farmacêutica, a médica teria fornecido apoio logístico ao executor, destruído provas e adulterado documentos para tentar criar um álibi. Laudos periciais indicaram falsificação de prontuário médico e tentativa de simular presença em consulta no dia e horário do crime.

O delegado responsável pela investigação, Eduardo Leal, afirmou que a motivação do assassinato está relacionada ao interesse da médica em assumir a guarda da criança e a um histórico de tentativas irregulares de adoção, além do episódio envolvendo o sequestro da recém-nascida.

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