
Um avião proveniente da Colômbia chegou a Cuba, nesta quarta-feira (15), com doações que incluem medicamentos, insumos médicos e alimentos. A ajuda foi arrecadada por diversos movimentos e organizações sociais, com o apoio do governo colombiano, que facilitou o envio por meio do Comando Aéreo de Transporte Militar (Catam).
O ato de recepção foi liderado pela senadora do Pacto Histórico Gloria Flórez que, representando o governo da Colômbia, fez a entrega oficial da carga de ajuda humanitária.
Por meio das redes sociais, Flórez destacou que a iniciativa é resultado da solidariedade do povo colombiano. Segundo ela, as doações têm objetivo de aliviar as consequências do furacão Melissa, que atingiu a ilha no final de outubro do ano passado, e de ajudar a enfrentar a asfixia energética da ilha causada pelo endurecimento do bloqueio estadunidense. Os medicamentos, insumos e alimentos foram reunidos por meio das casas de amizade com Cuba e de governos locais.
“Nestes tempos difíceis, em que se busca impor a ganância, é momento de integração e solidariedade entre os povos. Esta contribuição é fruto do amor e da gratidão do povo colombiano para com Cuba”, afirmou a senadora.
As organizações sociais da Colômbia somam-se, assim, a outras campanhas de solidariedade impulsionadas por diferentes movimentos sociais, sindicatos e partidos no continente.
A chegada dessa doação ocorre após o presidente colombiano Gustavo Petro anunciar, na terça-feira (14), o envio de painéis solares a Cuba, que se somarão aos sistemas fotovoltaicos previamente instalados, especialmente em centros de saúde e policlínicas. A medida busca apoiar os esforços que o país caribenho vem realizando para avançar rumo às energias renováveis.
Até o final de 2025, Cuba conseguiu atingir a marca de 10% de energia gerada por fontes renováveis — o que representa um aumento de 7% em um ano — por meio da implementação de sistemas fotovoltaicos. O país caribenho se propôs a ampliar essa capacidade com o objetivo de abastecer setores essenciais como centros de saúde, cuidado de idosos, educação e produção de alimentos.
As doações chegam a Cuba após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter assinado, em 29 de janeiro, uma ordem executiva pela qual ameaça impor sanções a qualquer país que “venda ou forneça petróleo” à ilha.
Desde então, Cuba — que atualmente produz apenas 30% do combustível que consome — não conseguiu importar o petróleo necessário para o funcionamento normal do país. A única exceção até agora foi o envio, no início de abril, de 100.000 toneladas de petróleo provenientes da Rússia, transportadas pelo navio Anatoli Kolodkin, o que equivale a aproximadamente 10 a 15 dias do consumo necessário do país. Além disso, prevê-se que Moscou envie uma segunda carga nas próximas semanas para mitigar a crise energética.