A avicultura brasileira vive um momento promissor em 2026, impulsionada pelo aumento expressivo das exportações e pela competitividade da carne de frango no mercado interno. O controle dos custos de produção também tem contribuído para esse cenário otimista, embora desafios como a oferta crescente e exigências sanitárias internacionais permaneçam no radar do setor.
Segundo o relatório Agro Mensal da Consultoria Agro do Itaú BBA, as exportações de carne de frango, incluindo produtos in natura e industrializados, alcançaram 497 mil toneladas em maio, um crescimento de 30,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Nos primeiros cinco meses de 2026, os embarques aumentaram 9% em comparação com o mesmo período de 2025, consolidando a presença do Brasil nos principais mercados consumidores.
Mercado interno e competição com a carne bovina
No mercado doméstico, a carne de frango continua a se destacar pela sua competitividade em relação a outras proteínas, especialmente a carne bovina. Em maio, o preço da ave abatida em São Paulo subiu 2,4%, enquanto os custos de produção recuaram 0,7%, melhorando as margens do setor. A carne de frango permanece cerca de 13% mais barata que a carne bovina, que teve uma valorização de aproximadamente 15% no mesmo período.
Esse cenário favorece o consumo da proteína avícola, especialmente em um contexto de renda pressionada para muitos brasileiros. A combinação de preços acessíveis e uma oferta estável tem garantido que a carne de frango continue sendo uma escolha popular entre os consumidores.
Apesar do desempenho positivo, o aumento da oferta de aves tem limitado a valorização dos preços. Dados do IBGE indicam um crescimento de 3,7% no número de aves abatidas no primeiro trimestre de 2026 em comparação ao ano anterior, o que, juntamente com o aumento do peso médio das carcaças, resultou em uma produção total de carne de frango 7% maior.
Os custos de ração também têm se mantido sob controle, com a colheita da segunda safra de milho reduzindo riscos de pressões sobre os preços das rações. Essa situação deve sustentar a produção de aves no curto prazo, com uma demanda aquecida tanto no mercado interno quanto no externo.
No entanto, o fenômeno climático El Niño e as barreiras sanitárias impostas pela União Europeia levantam preocupações para 2027. O El Niño pode impactar a produção de milho, afetando os custos de alimentação animal, enquanto as exigências sanitárias mais rigorosas da UE exigem atenção especial do setor.
Apesar dos desafios, o relatório do Itaú BBA aponta que a avicultura brasileira está bem posicionada no cenário global. A combinação de custos competitivos, demanda internacional robusta e preços favoráveis em relação a outras proteínas deve manter o setor em uma trajetória positiva nos próximos meses, exigindo, no entanto, planejamento estratégico e investimentos em rastreabilidade.











