A citricultura brasileira está passando por uma transformação significativa, com a área plantada de laranjas crescendo, mas o avanço do greening (HLB) está forçando uma migração para novas regiões. Em 2026, a área ocupada pelos pomares atingiu 400,3 mil hectares, um aumento de 5,3 mil hectares em relação ao ano anterior, conforme levantamento da Consultoria Agro do Itaú BBA.
O crescimento da área plantada, no entanto, não é o principal destaque. O que se observa é uma redistribuição da atividade citrícola, com as regiões Norte e Noroeste liderando a expansão, enquanto o Sul e o Centro enfrentam retração devido à crescente incidência da doença greening, que se tornou o maior desafio fitossanitário do setor.
Expansão e migração de investimentos
A migração dos investimentos em citricultura está se intensificando, com cerca de 50% das mudas produzidas em São Paulo sendo destinadas a municípios fora do cinturão citrícola. Minas Gerais é a principal beneficiária, recebendo 49% dessas mudas, seguida por Mato Grosso do Sul, Paraná e Goiás.
Essa estratégia visa minimizar os riscos associados ao greening, garantindo maior longevidade aos investimentos. Os novos pomares estão sendo direcionados para regiões onde a doença ainda não atingiu níveis críticos, refletindo uma adaptação necessária dos produtores.
Avanços tecnológicos e irrigação
Outro aspecto importante na modernização da citricultura é o aumento da irrigação. Para a safra 2026/27, cerca de 201 mil hectares do cinturão citrícola já contam com sistemas de irrigação, o que representa o dobro da área irrigada há dez anos. Essa tecnologia é mais comum nas regiões Norte e Noroeste, onde mais de 80% dos pomares são irrigados.
Por outro lado, as áreas tradicionais, que enfrentam perdas devido ao greening, apresentam índices de irrigação muito menores, resultado da redução de investimentos em regiões consideradas de maior risco.
Desafios no mercado e perspectivas futuras
Apesar da previsão de uma safra menor, os preços da laranja continuam pressionados. O Fundecitrus estima que a safra 2026/27 alcance 255,2 milhões de caixas, um volume 12,9% inferior ao da temporada anterior. Mesmo assim, o preço da fruta destinada à indústria caiu para R$ 24,70 por caixa, abaixo do custo de produção de muitos citricultores.
As exportações de suco de laranja, por sua vez, mostraram um desempenho positivo, com um crescimento de 16,8% em maio. No entanto, o mercado continua em um processo de ajuste, com preços internacionais ainda abaixo dos níveis recordes observados em safras anteriores.
A citricultura brasileira está, portanto, em uma nova fase, marcada por maior tecnificação e deslocamento geográfico dos investimentos. O avanço do greening continua a exigir adaptações dos produtores, enquanto o mercado se ajusta a uma nova realidade de oferta e demanda.











