O avanço do fenômeno El Niño tem gerado preocupações entre os produtores de trigo no Paraná, mesmo com lavouras apresentando boas condições. Até o momento, 84% dos 722 mil hectares previstos para a safra 2026 já foram semeados, e as condições climáticas têm favorecido o desenvolvimento das plantas. Contudo, especialistas alertam que o comportamento do clima nos próximos meses será crucial para a confirmação da produção estimada.
Segundo o Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), a área destinada ao trigo neste ciclo representa pouco mais da metade dos 1,39 milhão de hectares cultivados em 2023. Essa redução significativa no espaço dedicado ao cereal levanta preocupações sobre o futuro da cultura no estado.
Condições climáticas e suas implicações
A umidade do solo está adequada em todas as regiões produtoras, e a combinação de chuvas e dias ensolarados tem contribuído para o bom desenvolvimento das lavouras. Apesar do otimismo dos produtores, a continuidade desse cenário dependerá das condições climáticas durante o inverno, especialmente em relação a eventos extremos como geadas ou chuvas excessivas.
O fenômeno El Niño, já confirmado, pode trazer chuvas acima da média histórica para a Região Sul. Isso é preocupante, pois pode comprometer a qualidade do trigo, afetando os padrões exigidos pela indústria moageira. A perda de qualidade dos grãos é um risco real, especialmente em um momento em que a área cultivada já foi reduzida.
Déficit de oferta e desafios para o setor
Outro desafio enfrentado pelos produtores é o déficit estrutural entre a produção e o consumo de trigo no Paraná. Mesmo com a previsão de colheita de 2,4 milhões de toneladas, a demanda da indústria de moagem é de aproximadamente 3,9 milhões de toneladas por ano, resultando em uma diferença de cerca de 1,5 milhão de toneladas.
Se as condições climáticas adversas causarem perdas, a necessidade de importação de trigo pode aumentar ainda mais. Assim, a evolução do fenômeno El Niño será um fator determinante para o mercado, impactando diretamente a disponibilidade, a qualidade e os preços do cereal. Para os produtores e consumidores, essa situação pode trazer consequências significativas na cadeia produtiva e na economia regional.











