O mercado global de açúcar enfrenta uma queda acentuada, impactado por uma combinação de fatores econômicos e climáticos. Nesta sexta-feira (19), a commodity registrou desvalorização, refletindo a pressão do dólar forte, a baixa nos preços do petróleo e a expectativa de aumento na oferta mundial.
Esse cenário de queda nos preços é visível tanto no mercado internacional quanto no Brasil, onde o açúcar cristal acumula perdas significativas. Em junho, a tendência de desvalorização se intensificou, afetando diretamente a rentabilidade dos produtores e a dinâmica do mercado interno.
Dólar forte e petróleo em baixa pressionam o açúcar
Na Bolsa de Nova York, os contratos futuros do açúcar bruto encerraram a quinta-feira com queda. O contrato de julho/26 foi cotado a 13,59 centavos de dólar por libra-peso, enquanto os vencimentos de outubro e março também apresentaram recuos. Em Londres, o açúcar branco seguiu a mesma tendência, com preços em queda.
O fortalecimento do dólar frente a outras moedas tem reduzido a competitividade das commodities, o que impacta a demanda global. Além disso, a diminuição dos preços do petróleo torna o etanol menos atrativo, levando as usinas a direcionarem mais cana-de-açúcar para a produção de açúcar, aumentando a oferta no mercado.
Açúcar cristal amplia perdas no mercado brasileiro
No Brasil, o açúcar cristal também enfrenta um cenário desafiador. De acordo com o indicador do Cepea/Esalq, a saca de 50 quilos foi negociada a R$ 90,75, com uma queda de 0,80% em um único dia. Essa retração reflete a maior disponibilidade do produto e a cautela dos compradores nas negociações.
A combinação de uma oferta confortável e uma demanda moderada limita a recuperação dos preços, mesmo diante das incertezas climáticas que afetam os principais países produtores. A situação exige atenção dos produtores, que precisam se adaptar a um mercado em constante mudança.
Clima na Índia e El Niño permanecem no radar
Embora os fatores econômicos dominem o cenário atual, os riscos climáticos também são uma preocupação. Na Índia, a falta de chuvas durante o período de monções gera apreensão, pois isso pode impactar a produtividade dos canaviais. O fenômeno El Niño, que pode alterar os padrões de chuva, também é monitorado de perto.
Esses fatores climáticos podem influenciar significativamente a oferta global de açúcar, afetando diretamente o equilíbrio entre oferta e demanda. Assim, os produtores devem estar atentos a essas variáveis para planejar suas estratégias de cultivo e comercialização.
Enquanto o açúcar enfrenta desafios, o mercado de etanol apresentou uma leve recuperação, com o preço do biocombustível subindo 0,13%. No entanto, essa alta é pontual e ainda reflete um ambiente de maior oferta, que pode impactar a rentabilidade dos produtores de cana.
As próximas semanas serão cruciais para o mercado de açúcar, que deve continuar sensível a fatores externos. O comportamento do dólar, os preços do petróleo e as condições climáticas nas regiões produtoras serão determinantes para o futuro das cotações e para a economia do setor agrícola.











