Funcionários da DeepMind, laboratório de inteligência artificial do Google, estão se mobilizando para se sindicalizar devido ao receio do uso militar de suas tecnologias. A solicitação foi feita à direção da empresa em Londres, onde os trabalhadores pedem o reconhecimento oficial de dois sindicatos.
O temor em relação ao uso militar da inteligência artificial ganhou destaque após um recente debate entre o Departamento de Defesa dos Estados Unidos e a Anthropic, um de seus fornecedores. O Google, junto a outras empresas de IA, firmou acordos com o Pentágono para operações confidenciais, incluindo aplicações no campo de batalha.
Preocupações com o uso de IA em armamentos
Os funcionários expressam preocupação com a possibilidade de suas inovações serem utilizadas para desenvolver armas autônomas e sistemas de vigilância em massa. A Communication Workers Union (CWU) e a Unite the Union são as duas organizações que buscam representação sindical para os trabalhadores da DeepMind.
Os trabalhadores desejam que a DeepMind se torne um exemplo global de laboratório de IA com representação sindical reconhecida. Eles se opõem especificamente ao uso de suas tecnologias por forças militares, como o Exército dos Estados Unidos e Israel.
Além disso, os funcionários reivindicam a criação de um órgão independente de supervisão ética para monitorar o uso de suas inovações. Também pedem o direito de se recusar a participar de projetos que considerem moralmente questionáveis.
Em uma carta enviada à direção da DeepMind, os funcionários estipularam um prazo de 10 dias para o reconhecimento dos sindicatos. Caso não haja resposta, eles planejam iniciar um procedimento jurídico formal.
Essa mobilização interna não é inédita. Em 2018, a pressão dos trabalhadores levou o Google a desistir de participar do projeto Maven do Pentágono, que utilizava IA para análise de imagens de drones. O desdobramento atual pode ter implicações significativas para o futuro da pesquisa em inteligência artificial e suas aplicações.











