O mercado do açúcar no Brasil enfrenta um cenário desafiador, com preços pressionados por uma combinação de fatores internos e externos. A oferta elevada, a queda do petróleo e as incertezas climáticas têm contribuído para a volatilidade das cotações, tanto no mercado nacional quanto internacional.
Mercado internacional: petróleo em queda e expectativa de oferta elevada pressionam cotações
As bolsas internacionais de açúcar iniciaram a semana em baixa, refletindo a diminuição dos preços do petróleo e a percepção de ampla oferta global. Em Nova York, os contratos de açúcar bruto apresentaram quedas significativas, enquanto em Londres o açúcar branco também seguiu a tendência negativa.
A melhora nas condições logísticas e a expectativa de maior disponibilidade de açúcar no mercado internacional intensificaram essa pressão. A queda do petróleo, por sua vez, reduz a competitividade do etanol, impactando diretamente a relação entre açúcar e biocombustíveis.
Brasil: baixa liquidez e oferta suficiente mantêm açúcar cristal em queda
No Brasil, especialmente em São Paulo, as cotações do açúcar cristal branco continuam a sofrer pressão. Apesar de interrupções na moagem devido a chuvas, a oferta permanece suficiente para atender a demanda, que está retraída, resultando em baixa liquidez no mercado.
Dados do Ministério da Agricultura indicam uma queda de cerca de 25% na produção de açúcar no Centro-Sul na segunda quinzena de maio, refletindo um maior direcionamento da cana para a produção de etanol.
Mercado interno: leve reação do açúcar e do etanol, mas tendência ainda é negativa
Embora tenha havido uma leve alta pontual no açúcar cristal em São Paulo, o saldo do mês ainda é negativo. O etanol hidratado também apresentou um avanço moderado, impulsionado por uma melhora na demanda e ajustes nas usinas.
A queda do petróleo continua a ser um fator crucial, diminuindo a atratividade do etanol em relação aos combustíveis fósseis e influenciando as decisões produtivas nas usinas.
Índia: risco climático e etanol podem reduzir exportações e sustentar preços globais
A Índia, um dos maiores produtores de açúcar do mundo, pode enfrentar uma redução significativa em suas exportações devido ao fenômeno El Niño e ao aumento da produção de etanol. Essa situação pode restringir a oferta global e criar uma pressão ascendente nos preços internacionais.
Com a possibilidade de retirar milhões de toneladas do comércio global, especialmente para regiões importadoras, a Índia pode se tornar um fator chave para a sustentação dos preços no médio prazo.
Perspectivas: mercado dividido entre excesso de curto prazo e risco de aperto futuro
O mercado do açúcar está em um momento de incerteza, com uma combinação de oferta elevada e baixa demanda no curto prazo. Entretanto, fatores climáticos e mudanças na utilização da cana para etanol podem impactar a oferta global nas próximas safras.
Esse cenário gera um dilema para o setor: enquanto os preços permanecem contidos atualmente, o futuro pode trazer volatilidade e um possível aperto na oferta, dependendo da evolução climática e das políticas energéticas nos principais países produtores.











