O mercado brasileiro de milho enfrenta uma fase de baixa liquidez e pressão sobre os preços, impactando tanto o mercado físico quanto a Bolsa B3. Essa situação é resultado da queda do dólar, do recuo das cotações em Chicago e do avanço da colheita da segunda safra, que aumenta a oferta interna do cereal.
De acordo com a análise da TF Agroeconômica, a diminuição da competitividade do milho brasileiro no mercado externo tem afetado diretamente a formação de preços no cenário doméstico. Com a oferta em alta, os produtores estão mais cautelosos nas vendas, o que contribui para a lentidão nas negociações.
Desempenho dos contratos futuros na B3
Os contratos futuros de milho na B3 encerraram a última segunda-feira em queda. O vencimento de julho de 2026 foi cotado a R$ 63,65 por saca, apresentando um recuo diário de R$ 0,26 e uma baixa acumulada de R$ 0,69 na semana. Essa tendência de queda reflete a pressão do câmbio e a menor atratividade das exportações brasileiras.
No mercado físico, a colheita da segunda safra está em pleno andamento, o que amplia a disponibilidade do produto. No entanto, muitos produtores optam por segurar as vendas, já que não têm necessidade imediata de caixa, o que reduz ainda mais a fluidez do mercado.
Variações de preços entre as regiões produtoras
As variações de preços do milho são notáveis entre as regiões produtoras. No Rio Grande do Sul, a colheita atingiu 99% da área, com preços entre R$ 57 e R$ 63 por saca. Em Santa Catarina, as indicações de compra estão próximas de R$ 65, mas a demanda efetiva gira em torno de R$ 60, limitando o fechamento de negócios.
Em Mato Grosso do Sul, as cotações variam entre R$ 49 e R$ 52 por saca, com a colheita da safrinha avançando para 1% da área. A demanda da indústria de bioenergia tem ajudado a sustentar parte do consumo regional, mas a pressão de oferta e os estoques elevados ainda são desafios para o mercado.
O cenário atual do mercado de milho é marcado por uma combinação de aumento da oferta interna e um ambiente externo menos favorável. Esses fatores, aliados a estoques elevados, mantêm a liquidez baixa e dificultam uma recuperação consistente dos preços no curto prazo, impactando tanto produtores quanto consumidores.











