O acervo da Universidade de São Paulo (USP) revela novas faces do pensador negro Milton Santos, 25 anos após sua morte. Com cerca de 60 mil itens, o material guardado no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB-USP) tem trazido à tona aspectos pouco conhecidos da vida e obra desse importante intelectual brasileiro.
A implementação das cotas raciais nas universidades brasileiras gerou uma nova onda de interesse pela contribuição dos intelectuais negros ao pensamento nacional. O professor Maurício Costa, do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), destaca que essa nova geração de estudantes busca reavaliar a presença de autores negros na academia e na sociedade.
Explorando a obra de Milton Santos
As pesquisas recentes sobre Milton Santos vão além da geografia e globalização, abordando sua relação com a política e o movimento negro. O pensador, que visitou países africanos, escreveu sobre a realidade do continente em um momento em que poucos no Brasil se dedicavam a esse tema.
Além disso, Santos foi um dos primeiros a dialogar com a obra de Frantz Fanon, referência para muitos movimentos negros. Seu primeiro livro, O Povoamento da Bahia, já abordava questões raciais, mostrando seu compromisso com a temática desde o início de sua carreira.
A militância de Milton Santos
Pesquisas recentes desmistificam a ideia de que Milton Santos não era um militante do movimento negro. O professor Sérgio Henrique de Oliveira, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), aponta que suas ideias e intervenções contribuíram significativamente para a discussão sobre a exclusão racial no Brasil e no mundo.
Além de sua atuação acadêmica, Santos elaborou uma base teórica sobre território e direitos que se tornou fundamental para movimentos sociais, como o MST e o MTST. Suas reflexões sobre cidadania e exclusão social continuam a ressoar nas lutas contemporâneas.
Legado e atualidade
A ex-aluna de Santos, Regina Lucia Santos, destaca como suas ideias se manifestam nas comunidades periféricas. Os conceitos de solidariedade e organização territorial que ele defendia são vividos diariamente por aqueles que habitam essas áreas, mesmo que muitos não conheçam formalmente o movimento negro.
Milton Santos, nascido em 3 de maio de 1926, é considerado um dos intelectuais mais influentes do século 20. Sua obra continua a inspirar novas gerações, reafirmando a importância de sua contribuição para a compreensão das dinâmicas sociais e espaciais no Brasil e no mundo.











