O mercado do boi gordo em São Paulo continua sob pressão, com uma dinâmica de preços que reflete a cautela dos frigoríficos e a queda nas cotações das fêmeas. As escalas de abate estão confortáveis, o que limita a necessidade de reajustes e mantém o cenário de incerteza no setor.
Desvalorização das fêmeas e estabilidade no boi gordo
Recentemente, as fêmeas, como vacas e novilhas, apresentaram queda nas cotações, com desvalorizações de R$ 2,00 e R$ 3,00 por arroba, respectivamente. Esse movimento é um reflexo da pressão na ponta vendedora, enquanto o boi gordo comum e o “boi China” mantêm uma estabilidade relativa.
Os frigoríficos estão operando com escalas de abate em média de oito dias, o que indica um equilíbrio temporário entre oferta e demanda. Contudo, a necessidade de reposição imediata por parte dos compradores é limitada, resultando em um mercado mais contido.
Embora não haja um excesso significativo de oferta, a disponibilidade de boiadas gordas é considerada adequada. Pecuaristas seguem negociando, mas em um ritmo mais lento, o que contribui para a pressão sobre os preços.
Exportações como pilar do mercado
As exportações de carne bovina continuam a ser um fator crucial para o setor, mesmo com uma leve desaceleração em junho. A média diária exportada é de cerca de 13,4 mil toneladas, um aumento de 10,9% em relação ao ano anterior, o que demonstra a força do mercado externo.
Os embarques acumulados até agora representam 77,6% do volume total exportado em junho do ano passado, o que sugere um desempenho sólido. O preço médio da tonelada exportada também subiu, atingindo US$ 6,5 mil, refletindo a valorização da carne brasileira no cenário internacional.
Com esse panorama, a expectativa é que junho de 2026 possa registrar um faturamento histórico para o mês, com a receita acumulada já alcançando 93% do total de junho de 2025. Isso indica um desempenho expressivo do setor exportador, que pode ajudar a estabilizar os preços internos.
O futuro do mercado do boi gordo dependerá do ritmo de reposição dos frigoríficos e da continuidade das exportações. O equilíbrio atual, marcado por escalas confortáveis e pressão sobre as fêmeas, pode ser influenciado por esses fatores, refletindo diretamente na economia rural e no bolso do produtor.











