O Equador intensificou a militarização da segurança pública e concedeu imunidade penal a civis, militares e estrangeiros envolvidos em ações de repressão estatal, em meio a um estado de exceção que abrange grande parte do país. Essa medida, que suspende direitos constitucionais, foi implementada pelo presidente Daniel Noboa para combater o aumento da criminalidade, que se agravou nos últimos anos.
O estado de exceção permite o uso das Forças Armadas em operações de segurança, gerando preocupações entre organizações de direitos humanos e movimentos sociais. O principal partido de oposição, Revolução Cidadã, enfrenta a suspensão de seu registro eleitoral, o que impede sua participação nas eleições municipais de novembro de 2026.
Parcerias com os EUA
Nesta segunda-feira (22), o Equador firmou um acordo de cooperação com os Estados Unidos para operações na fronteira norte, que inclui o compartilhamento de informações entre as forças de segurança dos dois países. Este acordo surge após a declaração de um novo estado de exceção, que terá duração de 60 dias.
O presidente Noboa justificou a necessidade do estado de exceção devido à “grave comoção interna”, enquanto o decreto publicado em 18 de junho também concede imunidade penal a agentes do Estado e estrangeiros acusados de abusos durante ações de repressão.
Consequências da militarização
A crescente militarização da segurança no Equador não tem mostrado resultados positivos no combate à violência. Em 2025, o país registrou o maior número de homicídios da sua história, com 9.216 casos, um aumento de 30,5% em relação ao ano anterior.
Organizações sociais alertam para o aumento da repressão e perseguições a críticos do governo, com relatos de congelamento de contas bancárias de líderes opositores e dificuldades em processos legais para revogação do mandato do presidente.
Críticas e repressão
A socióloga Irene León criticou a suspensão do partido Revolução Cidadã, que foi banido sem um julgamento adequado. Além disso, a prisão de prefeitos da oposição e o assassinato da ativista anticorrupção Monika Silva Koniuszek, que denunciava corrupção e crimes ambientais, evidenciam um clima de repressão crescente no país.
As ações do governo têm gerado um clima de temor entre a população, que se vê cada vez mais exposta à violência e à repressão estatal. O futuro político do Equador permanece incerto, com a sociedade civil mobilizando-se contra as medidas autoritárias do governo.











