A uva Nebbiolo, tradicionalmente associada aos renomados vinhos Barolo e Barbaresco, está ganhando destaque na vitivinicultura brasileira, especialmente na Serra Gaúcha. Essa variedade, conhecida por sua complexidade e potencial de envelhecimento, começa a mostrar resultados promissores no Brasil, refletindo um novo capítulo para a produção de vinhos de alta qualidade no país.
Originária do Piemonte, na Itália, a Nebbiolo é uma uva que apresenta desafios agronômicos, como brotação precoce e maturação tardia. Sua sensibilidade a variações climáticas, especialmente chuvas próximas à colheita, exige um manejo cuidadoso e adaptado às condições locais.
Serra Gaúcha e o potencial da Nebbiolo
Em Monte Belo do Sul, a vinícola Casa Marques Pereira tem se destacado na adaptação da Nebbiolo ao clima brasileiro. Na colheita de 2026, as condições climáticas foram favoráveis, resultando em uma produtividade de cerca de 3 kg por planta, um índice expressivo para essa variedade.
O sucesso da safra foi atribuído a um ciclo climático equilibrado, com um inverno mais frio que favoreceu a dormência das videiras e chuvas adequadas antes da frutificação. Essa combinação de fatores é essencial para o desenvolvimento saudável da uva.
Manejo e técnicas para qualidade superior
O manejo no vinhedo é crucial para a qualidade da Nebbiolo. A equipe técnica da vinícola implementou práticas específicas, como a manutenção parcial da cobertura foliar, que protege os cachos da exposição solar excessiva. Essa técnica é fundamental para preservar as características da uva.
Além disso, a vinícola enfrenta o desafio da alternância produtiva, onde anos de alta produtividade são seguidos por ciclos de menor rendimento. Para mitigar esse efeito, a quantidade de gemas deixadas na poda de inverno foi aumentada em cerca de 30%, buscando garantir uma produção mais estável ao longo dos anos.
Identidade própria dos vinhos brasileiros
A seleção massal também é uma técnica adotada para adaptar a Nebbiolo ao terroir brasileiro. Essa prática permite a multiplicação de plantas com melhor desempenho, criando uma população de videiras mais adaptadas às condições locais. Na propriedade Quinta da Orada, já é possível identificar indivíduos que se destacam no clima e solo da região.
Os resultados até agora indicam que a Nebbiolo cultivada no Brasil mantém as características clássicas da variedade, como alta acidez e complexidade aromática. Ao mesmo tempo, os vinhos produzidos na Serra Gaúcha começam a ganhar uma identidade própria, ampliando as perspectivas da vitivinicultura brasileira no mercado de vinhos finos.











