Gustavo Nazareno traz uma nova perspectiva para a moda e a arte com sua exposição “How to Grow a Flower from a Supernova“, que será inaugurada na Opera Gallery de Paris nesta quinta-feira, 26 de junho. Com uma proposta que une astrofísica e religiões de matriz africana, o artista apresenta um universo imaginário que reflete suas influências e sua identidade.
A mostra, que ficará em cartaz até 15 de julho, coincide com a semana de alta-costura parisiense, um momento ideal para explorar a interseção entre arte e moda. Nazareno utiliza seu método único de criação, que envolve vestir manequins com roupas que desenha e costura, antes de partir para a pintura. Essa abordagem sinérgica resulta em obras que falam sobre a presença e a performance.
Tendências e Inspirações
As novas telas de Nazareno são marcadas por uma paleta de cores que evoca orixás como Nanã e Iemanjá, refletindo uma estética que dialoga com a cultura afro-brasileira. O artista considera suas criações como oferendas a Pombagira, uma entidade feminina do Candomblé, e vê suas roupas como uma forma de expressar essa conexão espiritual.
O processo criativo de Nazareno é multifacetado. Ele escreve em diferentes momentos do dia, buscando inspiração em suas observações e experiências. Para ele, a costura é a parte mais gratificante, pois é onde a ideia se materializa e ganha vida. Essa relação íntima com a roupa a transforma em um meio poderoso de comunicação.
O artista destaca que a moda, para ele, vai além da estética. É uma forma de contar histórias e expressar identidade. Nazareno se inspira na hierarquia das roupas nas religiões afro-latinas, onde cada detalhe tem um significado profundo. Essa visão transforma a moda em uma prática quase ritualística, onde a beleza e a performance se entrelaçam.
Com um olhar atento às referências que moldam seu trabalho, Nazareno menciona influências que vão de Irving Penn a Caravaggio, passando por ícones da moda como John Galliano e Alexander McQueen. Essa diversidade de inspirações reflete sua própria identidade, marcada pelo sincretismo cultural que permeia sua obra.
Para Gustavo Nazareno, a fé é o alicerce de sua criação. Ele vê seu ateliê como um terreiro, onde se conecta com os orixás e canaliza suas paixões. O artista expressa um sentimento de que sua jornada está apenas começando, o que promete novas e emocionantes contribuições para o mundo da moda e da arte.











