O relatório AgroInfo de junho de 2026, divulgado pelo Rabobank, revela um cenário desafiador para o agronegócio brasileiro, com margens de lucro pressionadas, produção recorde e atenção redobrada às condições climáticas. O estudo destaca a influência do ambiente geopolítico global e os desafios logísticos que podem impactar a rentabilidade dos produtores nos próximos meses.
Ainda que a oferta agrícola permaneça robusta, fatores como a valorização do real e os altos custos logísticos devem afetar diretamente o mercado. A combinação de oscilações climáticas e mudanças nos fluxos de comércio internacional também são pontos de atenção para os agricultores.
Soja e milho: cenários distintos para culturas-chave
O Rabobank projeta uma safra recorde de soja no Brasil para 2025/26, com 182 milhões de toneladas, um aumento significativo em relação ao ciclo anterior. Esse crescimento é impulsionado pela expansão da área cultivada e condições climáticas favoráveis, refletindo um mercado aquecido com exportações em alta.
Por outro lado, a produção de milho também é robusta, com uma projeção de 138 milhões de toneladas. Entretanto, a valorização do real e a concorrência internacional podem limitar as exportações, que devem cair para cerca de 39 milhões de toneladas, impactando a competitividade do produto no mercado externo.
Além disso, o aumento nos custos de frete rodoviário, que superou 10% no primeiro semestre, pode reduzir a margem de lucro dos produtores, levando a uma possível retenção maior do milho no mercado interno.
Desafios e oportunidades no setor de carnes e citricultura
As exportações de carne bovina do Brasil continuam a bater recordes, com um aumento de 15% em volume nos primeiros meses de 2026. A demanda da China e dos Estados Unidos tem sido um motor para esse crescimento, mas a possibilidade de uma desaceleração nas compras chinesas pode afetar os preços no futuro.
No setor de citricultura, a situação é mais complicada. A previsão de safra para 2026/27 é de 255,2 milhões de caixas de laranja, uma queda de 12,9% em relação ao ano anterior. Os desafios incluem a disseminação de doenças e condições climáticas adversas, que podem impactar a produtividade e a rentabilidade dos citricultores.
Por fim, o mercado de leite apresenta sinais de recuperação, com preços médios subindo para R$ 2,66 por litro. No entanto, a inflação e o endividamento das famílias podem limitar o consumo, exigindo atenção dos produtores para manter a sustentabilidade de suas operações.











