O mercado de trigo no Sul do Brasil enfrenta um momento de estagnação, com negociações lentas e compradores cautelosos. Os moinhos estão priorizando a aquisição de lotes de trigo de qualidade superior, visando reduzir a dependência de importações, mas a incerteza sobre a nova safra e a demanda contida têm dificultado a ampliação das compras.
Segundo a TF Agroeconômica, a oferta de trigo de qualidade elevada é limitada, e os preços permanecem sustentados. Os produtores estão cada vez mais preocupados com a próxima temporada, especialmente devido ao aumento dos custos de produção e os riscos climáticos que podem impactar a rentabilidade.
Desafios no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, os preços do trigo de qualidade superior estão firmes, variando entre R$ 1.430 e R$ 1.450 por tonelada. No entanto, a expectativa para a próxima safra é preocupante, com cooperativas locais indicando uma possível redução de até 40% na área cultivada.
A Emater-RS estima uma produção de cerca de 2,2 milhões de toneladas, bem abaixo das 3,8 milhões a 4 milhões de toneladas do ciclo anterior. Os agricultores estão apreensivos com os altos custos de implantação e a possibilidade de grãos contaminados, o que aumenta a cautela no plantio.
Mercado em Santa Catarina e Paraná
Em Santa Catarina, a comercialização de trigo continua limitada pela baixa demanda por farinha, o que desestimula os moinhos a realizar novas aquisições. Os preços no mercado FOB estão em torno de R$ 1.360 por tonelada para trigo-pão e R$ 1.400 para trigo melhorador.
No Paraná, o foco das negociações é liberar espaço para a segunda safra de milho. Os preços pagos pelos moinhos variam entre R$ 1.450 e R$ 1.500 por tonelada CIF, enquanto as ofertas FOB começam em R$ 1.400 por tonelada.
Com a combinação de demanda moderada e oferta restrita, o mercado de trigo deve continuar operando de forma seletiva nas próximas semanas. Os moinhos buscam trigo de qualidade para atender à demanda imediata, enquanto os produtores analisam com cautela o plantio, pressionados pelos custos e riscos climáticos que podem afetar a produtividade.











