O mercado de trigo no Rio Grande do Sul começa a mostrar sinais de acomodação nos preços, refletindo a baixa liquidez e a limitada disponibilidade do produto da safra antiga. Apesar da escassez de oferta, que tem sustentado os preços em patamares elevados, as negociações na região indicam uma possível transição para uma leve pressão baixista nas cotações.
Segundo o analista da Safras & Mercado, Elcio Bento, a principal característica do mercado é a baixa disponibilidade de trigo. Essa situação tem impedido uma correção mais acentuada nos preços, mesmo com o fluxo reduzido de negócios observado recentemente.
Escassez e resistência nos preços
No Rio Grande do Sul, os compradores estão demonstrando maior resistência, especialmente devido à dificuldade de repassar custos ao setor de farinha. Os vendedores tentam manter referências próximas de R$ 1.350 por tonelada FOB, enquanto as ofertas dos compradores variam entre R$ 1.280 e R$ 1.320 por tonelada FOB.
Ainda assim, a oferta disponível não é suficiente para provocar uma queda significativa nos preços. A percepção do mercado evoluiu de estabilidade para um viés levemente baixista, conforme destaca Elcio Bento.
No Paraná, o cenário é de baixa liquidez e preços firmes, com o mercado de trigo mantendo-se praticamente estável. Os moinhos nos Campos Gerais indicaram compras para julho em torno de R$ 1.430 por tonelada CIF, enquanto as ofertas de venda dos produtores estão próximas de R$ 1.400 por tonelada FOB.
A baixa disponibilidade de trigo remanescente continua sendo o principal fator que sustenta os preços no estado, mesmo com a liquidez reduzida. O equilíbrio entre oferta restrita e demanda contida deve prevalecer no curto prazo.
A evolução da safra e o comportamento da demanda da indústria serão cruciais para determinar os próximos movimentos do mercado nas próximas semanas. Os produtores e consumidores devem estar atentos a essas mudanças para se adaptarem às novas condições do mercado.











