A exclusão do Brasil de listas de países habilitados a exportar carne bovina para a União Europeia gerou preocupações no setor agropecuário. Especialistas alertam para falhas na condução regulatória e na adaptação às novas exigências internacionais, especialmente em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal.
A análise da estrategista do agro global, Maria Eduarda Blaiklock, sugere que a resposta do Brasil deve ir além de uma proibição total ou da aceitação de interrupções prolongadas nas exportações. Ela defende uma abordagem gradual que inclua mecanismos de rastreabilidade e certificação mais robustos.
Solução intermediária para o setor
A proposta de Blaiklock visa manter fluxos de exportação estruturados, com animais identificados e propriedades habilitadas, enquanto o sistema de monitoramento é ampliado progressivamente. Essa estratégia pode ajudar a garantir a continuidade das vendas para mercados exigentes como o europeu.
Os riscos de uma proibição generalizada do uso de antimicrobianos incluem não apenas perdas comerciais, mas também danos à reputação do Brasil. A saída do país do mercado europeu pode afetar diretamente a economia rural e a imagem da carne bovina brasileira, um dos produtos mais valorizados no exterior.
Integração de dados e rastreabilidade
A proposta de integração entre bases de dados públicas e privadas é central para garantir a segurança sanitária. Com maior capacidade de auditoria e certificação, o Brasil poderá retomar o acesso a mercados internacionais conforme o controle e a transparência do sistema evoluírem.
Assim, a carne bovina se torna um teste da habilidade do Brasil em transformar informações em credibilidade regulatória no comércio global. A construção de uma inteligência regulatória mais estruturada é essencial para o futuro do agronegócio brasileiro.
Como destacou Blaiklock, o Brasil não deve escolher entre se curvar ou ignorar as exigências europeias, mas sim construir uma estratégia proativa. O sucesso no comércio internacional de alimentos dependerá de quem conseguir demonstrar melhor a conformidade com as normas exigidas.











