O Plano Safra 2026/2027, anunciado pelo governo federal, gerou reações intensas no setor agropecuário. Apesar de ser apresentado como um “Plano Safra recorde”, a análise dos números revela cortes significativos nos recursos destinados ao crédito rural, especialmente nas operações de custeio e comercialização, o que preocupa os produtores em um cenário de altos custos de produção.
Com um total de R$ 525,1 bilhões, o plano mostra um crescimento nominal de apenas 1,7% em relação ao ciclo anterior. Contudo, esse aumento é influenciado pela inclusão de recursos de programas que não faziam parte do escopo tradicional do Plano Safra, enquanto linhas essenciais para financiamento da produção sofreram cortes expressivos.
Impactos no Custeio e na Sustentabilidade do Setor
A redução mais alarmante ocorreu nas operações de custeio, que caíram de R$ 414,7 bilhões para R$ 384,9 bilhões, uma diminuição de 7,2%. Para as entidades do setor, essa queda pode restringir o acesso ao crédito em um momento crítico, onde os produtores enfrentam desafios financeiros e climáticos.
Além disso, os recursos equalizados, que subsidiam as taxas de juros, também foram cortados, passando de R$ 113,8 bilhões para R$ 97 bilhões. Essa retração de 14,7% pode levar a um aumento no custo do crédito, afetando diretamente a sustentabilidade das atividades agropecuárias.
Embora o governo tenha anunciado um aumento de 38,1% nos recursos para investimentos, especialistas alertam que essa elevação é, em grande parte, ilusória. A inclusão de recursos de programas externos ao crédito rural tradicional distorce a realidade, e sem esses valores, o total disponível seria inferior ao ciclo anterior.
Críticas e Demandas do Setor
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) criticou duramente o plano, considerando-o insuficiente para atender às necessidades do setor. A entidade destacou que a nova metodologia utilizada pelo governo para apresentar os números cria uma falsa impressão de crescimento, enquanto na prática, os cortes em áreas estratégicas são preocupantes.
Além disso, a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cerimônia de lançamento do Plano Safra foi vista como um sinal de desinteresse pelo setor. A FPA reafirmou seu compromisso em buscar a aprovação de projetos de lei que visam a renegociação de dívidas rurais e a reformulação do modelo de Seguro Rural, enfatizando a necessidade de uma política agrícola mais robusta e inclusiva.











