A colheita do algodão no Brasil avança lentamente, mas deve acelerar nas próximas semanas, especialmente nas principais regiões produtoras. Enquanto isso, o mercado da pluma enfrenta pressão tanto no Brasil quanto no exterior, devido à expectativa de aumento da oferta global e à queda das cotações internacionais.
Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que, até o dia 26 de junho, a colheita havia alcançado 3,8% da área cultivada, um avanço em relação aos 2,8% da semana anterior. Embora o percentual esteja abaixo dos 5% do ano passado, está alinhado com a média dos últimos cinco anos.
Colheita deve acelerar em julho
O Maranhão lidera as colheitas, com 13% da área já colhida, seguido por Piauí, Bahia e Minas Gerais, com 11%. Mato Grosso do Sul e Goiás apresentam 4%, enquanto Mato Grosso, o maior produtor nacional, iniciou os trabalhos com apenas 1% da área colhida.
Com 80,3% das lavouras em fase de maturação, a expectativa é que as operações se intensifiquem nas próximas semanas, especialmente em Mato Grosso. Os produtores estão atentos ao manejo fitossanitário, focando no controle do bicudo-do-algodoeiro e das lagartas, que são os principais desafios nesta fase.
Mercado interno registra queda após quatro meses de alta
Apesar do avanço na colheita, o mercado interno do algodão perdeu força em junho, com preços em queda após quatro meses de valorização. A retração é atribuída à combinação da queda das cotações internacionais e à postura cautelosa dos compradores, que enfrentam dificuldades em repassar custos ao longo da cadeia produtiva.
Além disso, muitos compradores têm recorrido a estoques existentes ou contratos anteriores, limitando a movimentação no mercado. Embora alguns vendedores estejam flexibilizando preços para estimular novas negociações, a demanda ainda é tímida.
Oferta global mantém pressão sobre as cotações
No cenário internacional, o mercado também apresenta desafios para os preços do algodão. O contrato da pluma com vencimento em dezembro de 2026, negociado na Bolsa de Nova York, encerrou a última semana cotado a 77,55 centavos de dólar por libra-peso, uma queda de 1,22%.
A melhora das condições climáticas nos Estados Unidos aumentou as expectativas de uma boa safra, contribuindo para a pressão sobre os preços. Além disso, a queda nas cotações do petróleo torna as fibras sintéticas mais competitivas, reduzindo a demanda pelo algodão natural.
Nos próximos meses, o mercado do algodão deve continuar a ser influenciado pela colheita brasileira e pelo desempenho da safra norte-americana. Com a expectativa de ampla oferta global, os produtores devem estar atentos às estratégias de comercialização e gestão da safra para enfrentar um mercado ainda pressionado.











