A disputa pelo mercado chinês de grãos para alimentação animal pode sofrer mudanças significativas nos próximos anos. A cevada australiana, com a normalização das relações comerciais entre Austrália e China, surge como um novo competidor que pode impactar a demanda pelo milho brasileiro.
Jardel Oliveira de Paula, gerente comercial do setor, destaca que a retomada dos embarques de cevada australiana pode alterar o equilíbrio das importações de grãos. Essa mudança pode influenciar diretamente a indústria pecuária chinesa, que utiliza esses grãos em suas rações.
Competição nas formulações de ração
A principal preocupação para o milho brasileiro é a capacidade da cevada de substituir parte do cereal nas rações. A decisão dos fabricantes de ração dependerá da relação entre preços, disponibilidade e qualidade dos grãos disponíveis no mercado.
Quando a cevada se torna mais competitiva em termos de custo, sua participação nas dietas animais tende a aumentar. Em contrapartida, se os preços da cevada subirem ou sua disponibilidade diminuir, o milho pode voltar a ser a opção preferida para a nutrição animal.
Impacto nas importações chinesas
Um ponto crucial é até que ponto o aumento das compras de cevada australiana poderá reduzir a necessidade de importação de milho pela China. Embora a cevada possa substituir parte da demanda, fatores climáticos e limitações na oferta de cevada de qualidade podem manter a necessidade de ambos os grãos.
Assim, a China pode continuar a aumentar suas importações totais de matérias-primas para ração, equilibrando a demanda entre milho e cevada conforme as condições do mercado.
Olhando para a safra 2026/27
Para a safra 2026/27, é essencial que produtores e exportadores monitorem não apenas os volumes de importação da China, mas também a participação de cada grão nas formulações de ração. O comportamento do mercado chinês será determinante para as oportunidades de exportação do milho brasileiro.
Acompanhar a competitividade entre milho e cevada será fundamental para identificar tendências e antecipar movimentos que podem impactar os preços e a demanda internacional nos próximos anos. A atenção a esses fatores pode ser crucial para o sucesso dos produtores brasileiros no mercado global.











