A cadeia produtiva do leite no Nordeste brasileiro está em plena expansão, consolidando-se como um dos principais motores da economia regional, especialmente no semiárido. Dados do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) revelam um crescimento de 14,12% na produção de leite em 2025, em comparação ao ano anterior, impulsionado por inovações tecnológicas e melhorias genéticas no rebanho.
Esse desempenho positivo é observado em praticamente todos os estados nordestinos, refletindo uma maior integração entre a produção rural e a indústria de processamento. O fortalecimento dessa cadeia produtiva traz benefícios diretos tanto para os produtores quanto para a economia local.
Investimentos significativos na indústria do leite
Um exemplo notável desse crescimento é o laticínio Natville, que anunciou investimentos superiores a R$ 700 milhões para expandir sua presença industrial no Nordeste. A principal unidade está sendo construída em Batalha, Alagoas, com um aporte de R$ 500 milhões, focada na produção de queijos e cremes.
Com previsão de iniciar operações até outubro de 2026, a nova planta terá capacidade para captar 600 mil litros de leite por dia, gerando cerca de 300 empregos diretos e mais de 6 mil indiretos. Esse projeto terá um impacto significativo na cadeia produtiva, desde a produção no campo até o processamento industrial.
Além disso, a Natville está finalizando um complexo industrial em Jeremoabo, na Bahia, voltado para a produção de queijos finos, com inauguração prevista para o final de julho. Este empreendimento deve criar aproximadamente 100 empregos diretos e mais de 500 indiretos, reforçando a interiorização da atividade industrial no estado.
Papel social e econômico da cadeia do leite
Flávio Dantas, diretor geral da Natville, destaca que a empresa desempenha um papel estratégico na economia regional, especialmente em áreas onde a produção leiteira é a principal fonte de renda das famílias rurais. Com mais de mil colaboradores, a empresa estima gerar 20 mil empregos diretos e indiretos ao longo de toda a cadeia produtiva.
A infraestrutura e a qualificação profissional também são fundamentais para o fortalecimento do setor. Recentemente, o governo de Alagoas inaugurou uma estação de gás natural em Batalha, beneficiando grandes indústrias de laticínios, e anunciou cursos técnicos gratuitos para capacitar mão de obra para o setor lácteo.
Com um faturamento de R$ 1,3 bilhão em 2025, a Natville projeta alcançar R$ 1,5 bilhão em 2026, impulsionada pela expansão industrial e aumento da captação de leite. No cenário nacional, a produção de leite também apresentou crescimento, com 6,78 bilhões de litros adquiridos no primeiro trimestre de 2026, evidenciando a importância da cadeia leiteira na economia brasileira e o papel estratégico do Nordeste nesse contexto.











