O mercado brasileiro de arroz inicia uma nova fase, embora os estoques elevados ainda limitem a recuperação dos preços. Após um longo período de excesso de oferta e pressão sobre os preços, o cenário para o segundo semestre de 2026 apresenta fundamentos mais favoráveis, impulsionados por mudanças na oferta internacional e incertezas climáticas que podem impactar a próxima safra.
De acordo com o analista da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, a dinâmica do setor está mudando gradualmente. A predominância de fatores que pressionam os preços para baixo começa a perder força, o que pode levar a um mercado mais equilibrado nos próximos meses.
Fatores que Influenciam o Mercado
Um dos principais fatores que sustentam as cotações é a redução da área plantada com arroz longo fino nos Estados Unidos, que caiu cerca de 34%. Essa diminuição no cultivo pode elevar os preços do arroz norte-americano e aumentar a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional.
Além disso, a produção de arroz em países asiáticos, que são grandes fornecedores globais, também está sob ameaça devido a problemas climáticos e a influência do fenômeno El Niño. Isso pode resultar em uma menor oferta internacional, beneficiando exportadores como o Brasil e contribuindo para uma valorização gradual dos preços.
No entanto, os elevados estoques mundiais ainda atuam como um limitador para aumentos mais significativos nos preços. A situação dos estoques no Mercosul, que permanece alta, é um desafio que o setor precisa enfrentar para garantir uma recuperação consistente.
Desafios e Expectativas para o Produtor
Os produtores brasileiros estão atentos às condições climáticas que podem afetar o início do próximo ciclo produtivo. A previsão de chuvas acima da média durante os meses de agosto e setembro pode atrasar o plantio no Rio Grande do Sul, principal estado produtor de arroz do país, impactando o potencial produtivo da safra 2026/27.
Para que haja uma redução significativa nos estoques regionais, será necessário aumentar o ritmo das exportações. Estima-se que cerca de 2 milhões de toneladas ainda precisam ser embarcadas. Caso esse volume não seja comercializado, os estoques elevados poderão persistir, limitando a valorização dos preços.
Em suma, o mercado de arroz caminha para um reequilíbrio gradual. A velocidade de consumo dos estoques internos e o desempenho das exportações serão cruciais para determinar a recuperação dos preços nos próximos meses. A expectativa é de que o segundo semestre de 2026 traga um ambiente mais favorável para os produtores, mesmo que sem grandes oscilações de valorização no curto prazo.











