O mercado brasileiro de soja fechou junho com alta nos preços, mesmo diante da pressão da Bolsa de Chicago. A valorização foi impulsionada pela alta do câmbio e prêmios de exportação mais firmes, refletindo uma melhora pontual na comercialização do grão no país.
Preços da soja avançam no mercado físico brasileiro
No mercado interno, a saca de 60 kg apresentou valorização em diversas regiões. Em Passo Fundo (RS), o preço subiu de R$ 125,50 para R$ 131,50, enquanto em Cascavel (PR), passou de R$ 120,50 para R$ 126,50. Rondonópolis (MT) também registrou alta, com a saca passando de R$ 109,00 para R$ 117,00.
No Porto de Paranaguá (PR), um dos principais pontos de exportação, a cotação avançou de R$ 131,50 para R$ 137,50. Esses aumentos refletem um cenário interno mais favorável, que ajudou a sustentar os preços, mesmo com a pressão externa.
Câmbio e Chicago influenciam formação de preços
O dólar comercial teve alta de 2,34% em junho, encerrando o mês a R$ 5,16. Essa valorização contribuiu para melhorar a paridade de exportação e sustentou os preços internos da soja. Em contrapartida, na Bolsa de Chicago, os contratos futuros recuaram 3,8%, fechando a US$ 11,44 por bushel.
O clima favorável nas lavouras dos Estados Unidos aumentou as expectativas de uma safra cheia, pressionando os preços internacionais. Essa situação, somada à valorização do dólar, diminui a competitividade da soja americana no mercado global.
Oferta global segue confortável e pressiona cotações
O aumento da área plantada de soja nos Estados Unidos, que deve totalizar 85,4 milhões de acres em 2026, reforça a perspectiva de ampla oferta. Esse crescimento, de cerca de 5% em relação ao ano anterior, foi registrado em 23 dos 29 estados produtores.
Além disso, os estoques trimestrais de soja nos EUA totalizaram 1,06 bilhão de bushels, alta de 5% em relação ao ano anterior. A maior concentração do produto em estruturas comerciais pode indicar uma pressão adicional sobre os preços.
O mercado continua atento à demanda da China, que é crucial para a sustentação dos preços no segundo semestre. Um aumento nas importações chinesas pode ajudar a aliviar a pressão baixista observada em Chicago, especialmente em um cenário de ampla oferta nos Estados Unidos.











