O conselheiro da Comissão de Anistia, Prudente José Silveira Mello, propôs que empresas que apoiaram a ditadura militar (1964-1985) devolvam parte dos valores gastos pelo Estado em indenizações a perseguidos políticos. A recomendação foi apresentada durante uma sessão da comissão e visa responsabilizar companhias que colaboraram com a repressão.
Mello, que é relator de um processo sobre a perseguição ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, argumenta que a sociedade não deve arcar sozinha com os custos das indenizações. Ele sugere que o Estado busque a Justiça para estabelecer a corresponsabilidade dessas empresas.
Provas de Colaboração Empresarial
Em entrevista, Mello destacou que existem evidências de que grandes empresas contribuíram para o golpe de 1964. Segundo ele, essas corporações não apenas apoiaram financeiramente o regime, mas também participaram ativamente da repressão.
O conselheiro afirmou que a ditadura civil-militar contou com o suporte de empresários que, por meio de demissões e listas sujas, dificultaram a vida de trabalhadores que lutavam por seus direitos. Ele enfatizou a necessidade de responsabilização civil e financeira dessas empresas.
O valor das indenizações já ultrapassa R$ 1 bilhão, segundo Mello. Ele acredita que a proposta não se limita à recuperação financeira, mas também busca evitar que a história se repita, promovendo um debate sobre a importância da democracia.
Ainda não há confirmação se a recomendação terá apoio suficiente para avançar. Mello reconhece que o tema é delicado e envolve grandes interesses econômicos, especialmente de multinacionais.
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania foi contatado para comentar a proposta, mas não respondeu até o fechamento desta matéria. A expectativa é que o debate sobre a corresponsabilidade das empresas ganhe força nas próximas semanas.











