A China está expandindo sua infraestrutura financeira na África com o objetivo de reduzir a dependência do dólar, permitindo transações comerciais utilizando moedas africanas e o yuan. Essa estratégia visa facilitar o comércio entre a China e os países africanos, mas a adoção do yuan ainda é limitada no continente.
No final de junho, o Banco Central da China autorizou pagamentos em yuan no Standard Bank, o maior banco da África, em parceria com o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC). Essa iniciativa é vista como um passo importante para a integração financeira entre os dois mercados.
Desafios para o yuan na África
Apesar dos avanços, o uso do yuan na África permanece em níveis baixos. O analista geopolítico Marco Fernandes destaca que, embora a China esteja criando uma infraestrutura para facilitar transações sem o dólar, o volume de negócios em yuan ainda é considerado irrelevante em comparação com a economia global.
As commodities, especialmente energia e alimentos, continuam sendo negociadas predominantemente em dólares. Fernandes ressalta que o yuan representa apenas 8,5% das transações globais, embora tenha crescido em relação a anos anteriores.
A luta pela desdolarização
A desdolarização é uma das principais agendas do Brics, um grupo de países em desenvolvimento que busca reduzir a influência do dólar na economia global. No entanto, a China hesita em acelerar esse processo, pois ainda possui grandes reservas em dólares e busca manter a competitividade de suas exportações.
Além disso, a abertura da conta de capitais da China é um tema delicado, pois poderia expor seu sistema financeiro a riscos de especulação. A gradualidade na desdolarização é vista como essencial para evitar prejuízos significativos.
Propostas para o futuro
O economista Paulo Nogueira Batista Jr. sugeriu a criação de uma nova moeda de reserva para o comércio internacional, composta por uma “cesta” de moedas de países do Sul Global. Essa proposta visa oferecer uma alternativa ao dólar sem depender exclusivamente do yuan.
Para Fernandes, a desdolarização é crucial para promover uma economia mais justa e reduzir o poder dos EUA, que frequentemente utiliza o dólar como ferramenta de sanção. Ele alerta que a hegemonia do dólar impacta diretamente as economias mais vulneráveis, tornando importações mais caras e afetando a vida de milhões de pessoas.











