A cúpula do PT decidiu, em reunião realizada na última sexta-feira, 3 de julho de 2026, direcionar R$ 127 milhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha para a campanha de reeleição do presidente Lula. Essa quantia faz parte dos R$ 615 milhões que o partido receberá para as eleições deste ano, com o restante sendo destinado a outras candidaturas, principalmente à Câmara dos Deputados.
O novo planejamento financeiro do PT reflete uma mudança de estratégia, especialmente em relação ao Senado. O partido alocou R$ 61,9 milhões para candidatos ao Senado, um aumento significativo em comparação com as eleições de 2022, quando apenas 2,48% do fundo foi destinado a essa Casa. Este ano, o percentual chega a 10,08%, o que demonstra a importância que a sigla atribui à ampliação de sua bancada no Senado.
Impacto nas Eleições e Governabilidade
A eleição deste ano é crucial, pois dois terços das 81 cadeiras do Senado estarão em disputa. Dirigentes do PT acreditam que fortalecer a bancada de aliados é essencial para garantir a governabilidade em um possível quarto mandato de Lula. Além disso, a presença de uma bancada robusta pode ajudar a conter o avanço da direita, que busca ampliar sua influência no Senado.
Outro ponto relevante é a expectativa de melhorar a relação do Palácio do Planalto com o Legislativo. Desde o início da gestão petista, as interações com os parlamentares têm sido marcadas por tensões em torno de pautas econômicas e liberação de emendas. A nova estratégia do PT visa facilitar a aprovação de projetos prioritários para o governo.
Embora a quantia destinada à campanha presidencial seja expressiva, ela representa uma participação menor em relação ao total do fundo em comparação com a eleição anterior. Em 2022, cerca de 26% do fundo eleitoral foi alocado para a candidatura de Lula, enquanto agora essa participação caiu para pouco mais de 20%.
Além da campanha presidencial, o PT também está focado nas disputas pelos governos estaduais. O partido reservou 11,7% do fundo para candidaturas a governadores, com destaque para a corrida em São Paulo, onde o ex-ministro Fernando Haddad é considerado uma prioridade na tentativa de derrotar o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Com um total de R$ 615 milhões, o PT possui o segundo maior fundo eleitoral do país, atrás apenas do PL, que recebeu R$ 881,7 milhões. O Tribunal Superior Eleitoral distribuiu R$ 4,9 bilhões entre 30 partidos para financiar as campanhas deste ano, permitindo que candidatos arrecadem também por meio de doações e financiamento coletivo, dentro dos limites legais estabelecidos.











