A regulamentação da Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (PNPSA), através do Decreto nº 13.018/2026, trouxe à tona debates sobre os incentivos financeiros para a conservação ambiental no setor agropecuário. Embora a intenção seja estimular práticas sustentáveis e recompensar produtores rurais pela preservação de ecossistemas, especialistas alertam que os critérios estabelecidos podem desestimular a adesão ao programa.
O decreto institui o Programa Federal de Pagamento por Serviços Ambientais, que visa valorizar a bioeconomia e fortalecer mecanismos de conservação. No entanto, a forma como as regras foram definidas levanta preocupações sobre a efetividade dessa política pública.
Critérios podem restringir participação dos produtores
Pedro Schuch, sócio-líder da Dr. Fiscal, critica os requisitos que não correspondem à realidade da produção agropecuária no Brasil. Ele destaca que os produtores já destinam uma parte significativa de suas propriedades à conservação da vegetação nativa, com exigências que variam de 20% no Sul até 80% na Amazônia Legal, conforme o Código Florestal.
Esses altos níveis de preservação colocam o Brasil entre os países com as maiores exigências ambientais para a agropecuária. Contudo, a nova regulamentação pode tornar a adesão ao programa menos atrativa financeiramente.
Benefício será destinado apenas à preservação acima da obrigação legal
Um dos principais pontos de preocupação é que os incentivos financeiros do programa serão concedidos apenas aos produtores que preservarem áreas superiores ao mínimo exigido pela legislação. Essa condição pode desestimular a participação, especialmente em regiões como a Amazônia Legal, onde as exigências já são bastante rigorosas.
Schuch argumenta que essa abordagem pode limitar o alcance da política, excluindo muitos produtores que já cumprem com altos percentuais de preservação. Sem ajustes nos critérios de elegibilidade, o Programa Federal de Pagamento por Serviços Ambientais pode enfrentar baixa adesão.
Em resumo, a regulamentação, embora represente um avanço na remuneração por práticas sustentáveis, pode não alcançar seu objetivo de ampliar a conservação dos ecossistemas e incentivar práticas sustentáveis no agronegócio brasileiro. A economia regional e a preservação ambiental podem ser impactadas negativamente se os produtores não se sentirem motivados a participar do programa.











