O preço do trigo no Brasil está em queda, especialmente na Região Sul, devido à demanda fraca e à baixa liquidez do mercado. Os moinhos estão realizando compras de forma seletiva, o que tem pressionado ainda mais os preços do cereal, que já enfrentam a concorrência do trigo importado, especialmente com a recente queda do dólar.
Segundo a TF Agroeconômica, a desvalorização da moeda americana reduziu em cerca de R$ 15 por tonelada o custo do trigo importado, o que torna o produto nacional menos competitivo. Essa situação tem dificultado a recuperação dos preços pagos aos produtores, que já enfrentam um cenário desafiador.
Mercado de trigo no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, as negociações estão lentas, com um volume estimado de apenas 12 mil toneladas na última semana. A maioria dos moinhos está bem abastecida, o que limita novas compras e resulta em uma leve queda nas cotações, que atualmente giram em torno de R$ 1.300 por tonelada.
Além disso, a moagem está abaixo do esperado, refletindo um consumo interno enfraquecido. A perda do poder de compra das famílias e mudanças nos hábitos de consumo têm contribuído para a redução da demanda por produtos derivados do trigo.
Os produtores estão cautelosos em relação à safra 2025/26, considerando os altos custos de produção e os riscos climáticos. A Emater-RS estima uma produção de 2,2 milhões de toneladas, bem abaixo das 3,8 a 4 milhões de toneladas da safra anterior, o que pode resultar em um déficit significativo e aumentar a necessidade de importações.
Desafios em Santa Catarina e Paraná
Em Santa Catarina, o mercado de trigo também está praticamente parado, com produtores aguardando melhores oportunidades de venda. Os preços permanecem estáveis, mas a falta de compradores interessados tem dificultado a comercialização.
No Paraná, os moinhos estão priorizando a compra de trigo paraguaio, devido à qualidade e volume disponíveis. As negociações de trigo nacional estão restritas, com preços médios em torno de R$ 1.450 por tonelada, enquanto a nova safra apresenta pouca movimentação.
As perspectivas para o mercado de trigo dependem da recuperação da demanda interna. Sem sinais consistentes de melhora, o cenário tende a continuar com negociações pontuais e preços pressionados, aumentando a dependência do Brasil em relação às importações nos próximos meses.











