As importações brasileiras de fertilizantes sofreram uma queda significativa no primeiro semestre de 2026, levantando preocupações sobre o abastecimento da safra 2026/27. De acordo com um levantamento da StoneX, os desembarques das principais matérias-primas importadas pelo Brasil caíram 8,6% em comparação com o mesmo período de 2025.
Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, aponta que essa retração é resultado de um comportamento cauteloso dos compradores brasileiros, influenciado por incertezas geopolíticas e volatilidade nos preços internacionais. Essa combinação de fatores levou a uma redução nas negociações, afetando diretamente o ritmo das importações.
Impacto nas principais categorias de fertilizantes
Entre os fertilizantes nitrogenados, a ureia foi a que mais sofreu, com uma queda de 32% nas importações em relação ao primeiro semestre de 2025. Os fertilizantes fosfatados também não ficaram imunes, com o MAP (fosfato monoamônico) apresentando uma diminuição de 24% nas importações.
Outro destaque negativo foi o nitrato de amônio, que teve uma redução de 42% nas importações. Essa diminuição ocorre em um momento crítico, já que a preparação para a próxima safra agrícola exige um abastecimento adequado de insumos.
Além disso, a escassez global de enxofre, essencial para a fabricação de fertilizantes fosfatados, também está preocupando o setor. As importações de enxofre caíram 42% em comparação ao ano anterior, o que pode restringir ainda mais a oferta de fertilizantes no mercado brasileiro.
Oportunidades e desafios no mercado de fertilizantes
Contudo, a janela de importação para a safra 2026/27 está se fechando rapidamente. Tradicionalmente, as importações de fertilizantes nitrogenados aumentam entre junho e julho, enquanto as aquisições de fertilizantes fosfatados ocorrem entre abril e agosto. O atraso nas compras pode resultar em riscos de abastecimento para os produtores.
O mercado de fertilizantes também está atento às questões geopolíticas, especialmente em relação à guerra no Oriente Médio, que pode impactar a produção e exportação de insumos. A instabilidade nessa região, somada a restrições logísticas, pode influenciar tanto os preços quanto a disponibilidade de fertilizantes nos próximos meses.











