O mercado de trigo enfrenta pressão no Brasil, com uma combinação de demanda enfraquecida e incertezas climáticas que preocupam os produtores. Nesta quinta-feira (9), os contratos futuros na Bolsa de Chicago apresentaram leve queda, refletindo o avanço da colheita no Hemisfério Norte e uma expectativa de maior oferta global.
No cenário interno, a baixa no consumo e os altos custos de produção têm levado os agricultores a adotar uma postura cautelosa. As negociações estão limitadas, com muitos produtores evitando vendas diante de preços considerados pouco atrativos.
Mercado de trigo no Sul opera em ritmo lento
De acordo com a TF Agroeconômica, as transações nos principais estados produtores do Sul do Brasil estão em ritmo lento. Os moinhos estão comprando apenas para atender necessidades imediatas, enquanto os agricultores preferem segurar a produção, esperando melhores condições de mercado.
No Rio Grande do Sul, a situação é de leve baixa, com cerca de 12 mil toneladas negociadas na semana, um volume abaixo do esperado. Os preços do trigo pão no interior do estado caíram, passando de R$ 1.350 por tonelada em junho para cerca de R$ 1.300 nesta semana.
Custos elevados preocupam para a safra 2026
Os desafios para a próxima safra de trigo são significativos. Os produtores estão preocupados com os altos custos de produção, preços futuros pouco remuneradores e a possibilidade de influência do fenômeno El Niño, que pode afetar o clima.
As cooperativas do Rio Grande do Sul já falam em uma possível redução de até 40% na área plantada com trigo. A Emater-RS estima que a produção na safra 2026 pode ficar em torno de 2,2 milhões de toneladas, bem abaixo das 3,8 a 4 milhões de toneladas colhidas anteriormente.
Clima e mercado internacional em foco
Enquanto o mercado externo observa a colheita no Hemisfério Norte, os produtores brasileiros estão atentos às condições climáticas. O risco de geadas no Sul do Brasil pode impactar a qualidade e o potencial produtivo das lavouras, influenciando os preços no mercado interno.
O cenário atual do mercado de trigo é delicado, com a baixa demanda da indústria e a concorrência do trigo importado limitando a recuperação dos preços. Mudanças climáticas ou eventos inesperados podem alterar rapidamente essa dinâmica, mantendo todos os envolvidos no setor em alerta.











