O Brasil avança na adoção de aditivos naturais na nutrição animal, reforçando a transição global para sistemas de produção sem antibióticos promotores de crescimento (AGPs). A publicação da Portaria SDA/MAPA nº 1.617 marca um novo capítulo na pecuária brasileira, priorizando a saúde intestinal e o equilíbrio da microbiota dos animais.
Especialistas do setor destacam que essa mudança é fundamental para modernizar as práticas de manejo e nutrição, promovendo um ambiente mais saudável para os animais. Fernando Braga, gerente global de marketing da ICC Nutrição Animal, afirma que essa decisão valoriza o manejo sanitário e a biossegurança, essenciais para a produção sustentável.
Desafios e Oportunidades no Comércio Internacional
A iniciativa do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) está em sintonia com as tendências globais de restrição ao uso de antibióticos. Contudo, a União Europeia anunciou a suspensão de compras de produtos de origem animal do Brasil, alegando falta de informações sobre o cumprimento das exigências de uso de antimicrobianos.
O governo brasileiro busca reverter essa decisão, uma vez que o mercado europeu é estratégico, gerando cerca de US$ 1,8 bilhão em exportações de proteína animal em 2025. A eficácia das novas práticas adotadas será crucial para manter a competitividade no comércio internacional.
Crescimento da Demanda por Soluções Naturais
Com as restrições aos AGPs, a demanda por alternativas naturais na nutrição animal tem crescido. Soluções como leveduras, probióticos e ácidos orgânicos estão se tornando essenciais para a manutenção da saúde intestinal e a resposta imunológica dos animais.
William Reis, gerente de produtos para ruminantes da ICC Nutrição Animal, ressalta que a atenção à alimentação animal é vital para equilibrar o crescimento e a saúde intestinal, especialmente em um cenário com menos antimicrobianos disponíveis.
Integração de Aditivos e Eficiência Produtiva
A combinação de diferentes aditivos naturais também se destaca como uma estratégia eficaz para melhorar o desempenho zootécnico. Gustavo Aguiar, especialista em monogástricos da ICC Nutrição Animal, afirma que o uso integrado dessas soluções potencializa os resultados produtivos.
Além disso, produtos à base de levedura, como o ImmunoWall e o RumenYeast, têm mostrado resultados promissores na prevenção de doenças e na melhoria da digestibilidade, impactando diretamente a saúde e a eficiência produtiva dos animais.
A transição para práticas mais sustentáveis e a adoção de tecnologias naturais indicam um futuro promissor para a produção animal no Brasil. À medida que o setor se adapta às novas exigências, a competitividade no mercado global de proteína animal tende a se fortalecer, beneficiando tanto produtores quanto consumidores.











