O mercado de trigo no Brasil enfrenta um cenário desafiador, com a baixa demanda pressionando os preços, especialmente na Região Sul. Enquanto isso, o mercado internacional, representado pela Bolsa de Chicago, apresenta uma valorização significativa, impulsionada por preocupações climáticas na Europa e pela expectativa de redução dos estoques nos Estados Unidos, conforme o relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).
A combinação de consumo interno enfraquecido e moagem reduzida mantém produtores e cooperativas em alerta. No Rio Grande do Sul, os preços do trigo estão em queda, com negociações passando de R$ 1.350 para R$ 1.300 por tonelada, refletindo a retração do mercado.
Mercado de trigo segue lento no Sul do Brasil
De acordo com a TF Agroeconômica, o volume de negociações no Brasil continua baixo, impactado pela demanda reduzida por farinha e farelo. A moagem está operando em ritmo lento, limitando novas compras por parte dos moinhos.
Os produtores gaúchos enfrentam não apenas preços baixos, mas também custos elevados de produção e riscos climáticos, como o possível retorno do fenômeno El Niño. A Emater-RS estima uma produção de 2,2 milhões de toneladas na próxima safra, bem abaixo das 3,8 a 4 milhões de toneladas anteriores.
Santa Catarina e Paraná em situações distintas
Em Santa Catarina, o mercado permanece travado, com produtores aguardando melhores preços para negociar. Enquanto isso, no Paraná, a valorização do real favoreceu a importação de trigo do Paraguai, com moinhos aproveitando o câmbio favorável.
Os preços do trigo no Paraná variam entre R$ 1.450 por tonelada CIF, com negociações pontuais. Para a safra 2026/27, ainda não há liquidez significativa, com indicações em torno de R$ 1.400 CIF.
Expectativas e volatilidade no mercado internacional
Enquanto o mercado brasileiro enfrenta desafios, os contratos futuros de trigo na Bolsa de Chicago registraram alta, impulsionados por preocupações com o clima na Europa. A expectativa de redução nos estoques norte-americanos também contribui para a volatilidade.
Os dados do USDA indicam vendas líquidas de trigo da safra 2026/27, com a Coreia do Sul sendo o principal comprador. Apesar da pressão interna, o cenário internacional pode influenciar os preços do trigo no Brasil, trazendo novas incertezas e oportunidades para os produtores.











